Análise: Ceará se impõe e se aproxima do bi do Nordestão

Em mais uma partida segura e consciente taticamente, Vovô abre vantagem no 1º jogo da final e pode até perder por um gol na terça para ser campeão

Legenda: Ceará abre boa vantagem sobre o Bahia para o jogo de volta da final da Copa do Nordeste Fernando Sobral aproveitou falha da defesa alvinegra e abriu o caminho da vitória alvinegra
Foto: FELIPE SANTOS / CEARASC.COM

O Ceará deu um grande passo para conquistar o bicampeonato da Copa do Nordeste. A equipe alvinegra venceu o Bahia, por 3 a 1, no Estádio Pituaçu, em Salvador, no jogo de ida da decisão do torneio regional, e pode até perder por um gol de diferença no jogo de volta, na terça-feira (4), no mesmo estádio, às 21h30, que será campeão de 2020.

> Veja tudo sobre a vitória alvinegra na final do Regional

A vantagem do Vovô é confortável ao ponto de uma derrota por dois gols de diferença ainda levar a decisão para os pênaltis. O Bahia só tiraria o título do Vovô no tempo normal se vencer por três gols de diferença.

O placar construído pelo Vovô foi mais do que merecido e incontestável ao longo dos 97 minutos de jogo em Pituaçu.

Exceto pela falha individual de Fabinho no gol do Bahia, quando perdeu a bola e cedeu o contra-ataque para Fernandão marcar e abrir o placar para os baianos, o Ceará foi superior ao adversário, fazendo mais uma partida taticamente impecável.

Mas só ser taticamente obediente não bastava, e a equipe evoluiu em comparação a seu jogo na semifinal contra o Fortaleza. Se no Clássico-Rei, o Alvinegro foi intenso, físico e decidiu na bola parada, ontem teve aquele algo a mais para uma final de campeonato: ser decisivo, criar mais e aproveitar as oportunidades de gols.

Tudo isso, o Ceará fez, mostrando estar cada vez mais com a cara do técnico Guto Ferreira, responsável por mudar a característica de jogo da equipe alvinegra.

Ontem, o Vovô finalizou bem mais, fez o goleiro Anderson trabalhar muito e foi letal no contra-ataque quando estava em vantagem no placar.

Para isso acontecer, Guto manteve a mesma estrutura tática do Clássico-Rei em termos de característica de jogadores, trocando apenas Rick - talentoso, mas que sentiu o peso da fase final do Copa do Nordeste - e entrando com Leandro Carvalho. A outra mudança foi na zaga, com Luiz Otávio voltando de suspensão no lugar de Tiago Pagnussat.

Como todo 1º jogo de uma decisão, o início de partida foi truncado, sem espaços de cada lado, afinal, nenhum dos times queria ceder vantagem ao adversário logo cedo.

Mas ainda assim, o Ceará já se mostrava melhor posicionado que o Bahia, geralmente ganhando a segunda bola e trocando melhor os passes.

Foi quando Fabinho foi desarmado no meio-campo e Flávio lançou rápido para Fernandão abrir o placar para o Bahia.

Mas a desvantagem, que forçaria o Ceará a mudar sua estratégia de jogo, durou apenas dois minutos, com o Vovô empatando em seguida, após outra falha, agora do lado baiano. E foi uma lambança, com o lateral Juninho Capixaba e o goleiro Anderson trombando, deixando a bola limpa para Fernando Sobral empatar para o Vovô: 1 a 1.

Legenda: Fernando Sobral aproveitou falha da zaga do Bahia para deixar tudo igual
Foto: Foto: Felipe Santos/ cearasc.com

Era tudo que o Alvinegro precisava para manter os nervos no lugar e continuar buscando seu jogo. A partir daí, o Ceará cresceu no duelo e decidiu o jogo no 2º tempo.

Estrela

A etapa final começou equilibrada, com os dois goleiros realizando uma defesa importante cada - Prass defendeu chute de Flávio e Anderson pegou o de Leandro Carvalho. Mas, aos 11 minutos, o Vovô virou o jogo em uma jogada que tem o dedo de seu treinador.

Para esta final, a principal dúvida na escalação alvinegra era se Guto Ferreira mantinha Cléber de centroavante ou o tirava para a entrada de Rafael Sóbis. O técnico preferiu manter o centroavante, que já fazia boa partida, bem no pivô, prendendo a bola e criando situações de ataque. Mas ainda faltava o gol.

E ele finalmente saiu após belo cruzamento de Samuel Xavier, com Cleber subindo bonito de cabeça e marcando o segundo do Vozão, típico de centroavante.

Legenda: Atacante Cléber vibra muito com seu primeiro gol pelo Ceará
Foto: Foto: Felipe Santos/ cearasc.com

Foi o gol da insistência em um jogador que ainda não tem um grande nome no futebol, mas que já tinha provado seu valor em outros jogos, mudando o jeito do Ceará jogar.

Com a vantagem, Guto Ferreira foi inteligente, lançando Mateus Gonçalves no time, um atacante velocista e mais experiente que Rick, outra opção que tinha.

Bem melhor postado em campo e tocando a bola com precisão, em certos momentos colocando o Bahia na "roda", o Vovô tinha os contra-ataques à disposição e fez o 3º aos 28 minutos. Mateus Gonçalves recebeu lançamento de Fernando Prass, cortou para o meio e chutou, contando com o desvio para ampliar. O VAR, utilizado na final, demorou três minutos para revisar o gol, mas o validou.

A vantagem era justa e condizente com o que as duas equipes estavam mostrando em campo, com um Ceará superior e consciente de suas ações.

Quando o Bahia tentou pressionar em busca de reduzir o prejuízo, ficou claro o desconforto do time de Roger Machado em criar, sendo facilmente anulado pelos defensores alvinegros, com destaque para os zagueiros Luiz Otávio e Klaus, que tiraram todas, como Fernando Sobral e Charles, impecáveis na marcação.

Já com Rafael Sóbis e Lima em campo, o Ceará prendeu bem a bola na frente, valorizou a posse dela e saiu com uma grande vitória, um passo gigantesco rumo ao bicampeonato do Nordeste.