Carpini e Mozart: comandantes na primeira final do Cearense da carreira
O Diário do Nordeste separou informações da trajetória dos treinadores até chegar a decisão
O ano de 2026 reservou para a final do Cearense muitas mudanças para Fortaleza e Ceará. As duas equipes caíram para a Série B, reformularam o elenco e trocaram de treinadores. No Leão, uma mudança maior, com uma nova diretoria, sem a presença de membros conhecidos por serem torcedores ou ídolos do clube.
Neste cenário, os olhares se voltam para os forasteiros no futebol cearense: Thiago Carpini, técnico do Fortaleza, e Mozart, treinador do Ceará. Ambos em suas primeiras experiências com equipes do nosso Estado e com missões importantes. Do lado tricolor, quebrar o tabu de 11 jogos sem vencer o principal rival e voltar a conquistar o título do Manjadinho, após três anos da última vez. Já o alvinegro quer manter a sequência de invencibilidade e o tricampeonato cearense.
Mas, como foi a evolução do trabalho de cada um até aqui na competição? O Diário do Nordeste separou informações de como foi um pouco da trajetória deles até chegar a decisão.
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CAOS, REFORMULAÇÃO E MUDANÇA DE ELENCO DO LEÃO
Thiago Carpini foi anunciado no Fortaleza ainda em 2025, quando Marcelo Paz ainda era o CEO do Fortaleza. O treinador tinha à disposição o elenco formado pelos atletas que foram rebaixados para a Série B, com a ciência de que algumas peças seriam negociadas, visando diminuir os gastos financeiros do clube.
Estreou com o Fortaleza no dia 11 de janeiro e, no meio do caminho, foi perdendo atletas, sem saber com quem ele poderia contar para a temporada, já que a SAF do Fortaleza tinha como prioridade diminuir os gastos do clube, para iniciar as contratações avaliadas por Carpini.
O técnico, por muitas vezes, relatou a dificuldade em formar os 11 atletas para as partidas por falta de peças. O Fortaleza passou um longo período sem extremos e lateral-esquerdo, inclusive no primeiro Clássico-Rei do ano. Carpini fez improvisos, mudou o esquema tático e, entre trancos e barrancos, conseguiu manter o Fortaleza invicto e com a melhor defesa da competição, com apenas um gol sofrido até aqui.
Apesar de tudo, o treinador fez uma revelação surpreendente, em entrevista exclusiva ao ge, que cogitou a saída do Tricolor, lugar que ele já tinha o desejo de estar, por perceber tantas mudanças que não constavam nos planos do técnico.
“Nunca tive dúvida sobre o Fortaleza desde que fui procurado, eu queria que esse projeto tivesse acontecido antes, estivemos próximos antes, mas um dia antes do meu acerto, tinham situações encaminhadas, estava apalavrado com outro clube da Série A, mas entendi o desafio de viver um projeto com o Fortaleza, que foi o que o clube viveu nos últimos anos. [...] Fui recebido pelo Marcelo Paz, Júlio Manso, Papellin, Daniel de Paula e Boeck. Ninguém mais está aqui. [...] Cheguei a cogitar (sair), a pensar, mas depois da oportunidade de conviver com tanta gente boa que está no clube, a gente começa a criar os vínculos com as pessoas. [...] eu entendi que sou parte desse projeto, é aqui que vou ficar, e tentar ajudar de alguma maneira".
ORQUESTRA DE MOZART: EXPERIÊNCIA E JOIAS DA BASE
Dois dias depois de confirmar a saída de Léo Condé, o Ceará anunciou Mozart para tocar o sinfonia de reconstrução do Vovô em 2026. O novo comandante chegou com moral ao CT de Porangabuçu depois de dois acessos com Mirassol e Coritiba. O nome do técnico foi um consenso no departamento de futebol do clube que foi mantido após a queda.
Após a estreia no estadual com o time sub-20, Mozart começa dá cara ao seu time na segunda rodada, contra o Maranguape. A sua orquestra conta com 13 atletas remanescentes, além de 10 contratações pontuais, muitas delas de "atletas de confiança", para repor as saídas ao final do ano anterior. Para completar a sinfonia alvinegra, o treinador tem acrescentado atletas da base, que são vistos e guiados de perto nas atividades.
Até aqui, o Ceará tem sido protagonista nas partidas que disputou. Mesmo com ausências de titulares nos primeiros jogos no ano, Mozart foi adaptando ao cenário e tem aplicado quatro goleadas até aqui na temporada. Para quem chegou sob a desconfiança de ser "retranqueiro", o ataque do novo técnico tem colocado números diferentes nisso. Em 10 jogos foram 25 bolas nas redes adversárias e apenas 4 gols sofridos.
Mozart e os jogadores do Ceará têm como missão principal o retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. A semente plantada no início do ano com o estadual tem como foco principal aproximar o torcedor novamente. Depois da classificação sobre o Primavera, na Copa do Brasil, o técnico destacou a evolução do time para os primeiros 90 minutos da decisão.
“A gente está vindo de uma semana que enfrentamos o Floresta, o Primavera e temos agora o primeiro jogo da final. Eu sabia que teríamos uma semana com desgaste grande e era importante que todos jogassem e estivessem prontos para serem utilizados. Nós conseguimos fazer isso bem. Nós temos um grupo bem forte, de jogadores bem comprometidos e eu tenho certeza absoluta que nós vamos chegar no nível físico deles [Fortaleza]. Apesar de ter dois dias a menos [de preparação]”, ressalta o treinador.
TUDO PRONTO
As duas equipes entram em campo neste domingo (1º), às 18h, para o primeiro duelo da grande final, de dois jogos, do Campeonato Cearense de 2026. O Ceará tem 47 títulos estaduais e é seguido de perto pelo Fortaleza, que levou o torneio em 46 ocasiões. O primeiro confronto entre tricolores e alvinegros na temporada, ainda pela fase de grupos, terminou em 0 a 0.