Análise: Ceará foi seguro e tático para ser finalista

Em jogo de raras oportunidades, Vovô é mais eficiente, e em sua exibição mais segura e tática do ano, supera o Tricolor e decide mais uma vez o torneio

Legenda: Klaus testou de cabeça e fez o gol da vitória e da classificação alvinegra contra o Fortaleza
Foto: FELIPE SANTOS / CEARASC.COM

Depois de cinco anos, o Ceará volta a decidir uma Copa do Nordeste. O Vovô, que foi campeão invicto em 2015, carimbou ontem uma vaga na final para sonhar com o bicampeonato com todo o mérito, ao vencer o Clássico-Rei, por 1 a 0, gol de Klaus, no Estádio Pituaçu, em Salvador. O adversário do Vovô na decisão sai hoje, do duelo entre Bahia e Confiança, também no Pituaçu. As finais serão nos dias 1º e 4 de agosto.

Em uma partida com raras chances de gol, o Vovô foi mais eficiente, mostrando uma consciência e entrega tática praticamente perfeita.

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O Alvinegro do técnico Guto Ferreira anulou pontos fortes do Fortaleza reforçando suas linhas de marcação e ganhou o duelo tático com Rogério Ceni, que dessa vez, viu sua estratégia não dar certo no Tricolor de Aço.

Enquanto o Ceará tinha uma trinca de meio-campistas com muita força física, como Fabinho (a novidade no lugar de Ricardinho), Charles e Fernando Sobral, Ceni escalou uma equipe sem centroavante - Wellington Paulista iniciou o jogo no banco - e jogadores mais lentos, Marlon e Mariano Vázquez, deixando Romarinho na reserva.

Ceni claramente queria um time com mais controle de jogo e ter mais a bola, principal dificuldade encontrada diante do Sport nas quartas de final. Mas o que se viu foi um Ceará extremamente consciente em campo, com os jogadores fazendo uma partida taticamente perfeita, evoluindo a olhos vistos com o recém-chegado treinador.

Até em manter Rafael Sóbis no banco poderia indicar surpresa pela qualidade do experiente jogador, mas Cléber mostrou mais uma vez com é importante taticamente ao prender a bola, fazer o pivô no momento certo para a chegada dos laterais ou meias.

Os meio-campistas alvinegros, aliás, fecharam as linhas de marcação, encaixotando os armadores do Fortaleza - Marlon e Mariano Vázquez, assim como seus pontas, Osvaldo e David, todos jogando abaixo do que já mostraram em 2020.

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Legenda: Guto Ferreira e Rogério Ceni se enfrentaram pela segunda vez. Agora, é uma vitória para cada lado
Foto: Pedro Chaves/FCF

Acirrado

E neste panorama tático, o jogo foi mais para esta linha do que precisamente jogado. Em outras palavras, muita marcação, posicionamento, faltas e pouco futebol na primeira metade do 1º tempo. 

Como em todo clássico decisivo, o nervosismo e a ânsia de não perder divididas ou das espaços ao adversário deram as caras, com raras chances de gol até ali. Foi quando aos 23 minutos, Vinícius cobrou falta e Klaus mandou de cabeça para fazer 1 a 0. O lance é uma especialidade do zagueiro, que substituía Luiz Otávio, suspenso. Foi o 3º gol dele no Nordestão.

Após o gol do Vozão, o jogo melhorou um pouco, ficando mais aberto pela necessidade do Fortaleza em buscar o resultado.
Mas setor de ataque tricolor não funcionava, e ainda presenciava uma atuação ruim de Osvaldo e David na frente.

Assim, com um sistema defensivo acertado e uma marcação encaixada, o Ceará não teve problemas para segurar as investidas leoninas. E o Vozão ainda poderia ter ampliado sua vantagem no fim em um contra-ataque, mas Rick desperdiçou a chance, desarmado pela defesa.

Emoção

Para o 2º tempo, Rogério Ceni lançou de cara Romarinho no lugar de Mariano Vázquez, que já tinha cartão amarelo. 
A mudança deu muito mais velocidade ao ataque leonino, que se tornou mais perigoso, mas o Ceará se defendia muito bem com seus volantes e laterais, fechando os espaços. Samuel Xavier e Bruno Pacheco foram muitos seguros na marcação e apoiaram menos que o habitual.

E com uma defesa segura, o Ceará voltou a levar perigo na bola parada. Em duas oportunidades, Fabinho e Cléber cabecearam com perigo ao gol de Felipe Alves Ceni tentou mudar o jogo com as entradas de Yuri César e Wellington Paulista, ganhando a imprevisibilidade do “moleque liso” e a presença do centroavante, com o Leão realmente melhorando e sendo mais perigoso.

A cada bola dominada de Yuri, era uma tentativa perigosa do Tricolor, com ele acertando a trave em chute de fora da área, após rebote de um escanteio. Com Klaus e Pagnussat muito bem posicionados e tirando todas de cabeça, o centroavante tricolor Wellington Paulista pouco pegou na bola.

Em meio à pressão tricolor e o time todo à frente, o Ceará teve muitos contra-ataques à disposição, mas Lima e Leandro Carvalho, que entraram na etapa final, desperdiçaram todos, levando o técnico Guto Ferreira a reclamar muito.
Nos minutos finais, a tensão do jogo aumentou, pois um empate tricolor levaria a decisão para os pênaltis.

Aí apareceu a maturidade tática do Ceará para segurar o resultado. Com aproximação e dobras pelas pontas, o Vovô gastou o tempo, tocou bem a bola para ganhar preciosos minutos e segurar o resultado até o árbitro apitar aos 51.

Com o fim do jogo, os jogadores alvinegros comemoraram muito, sabedores que fizeram história em um Clássico-Rei especial em um mata-mata, eliminando o eterno rival e seguindo vivo, sonhando com bicampeonato do Nordeste.

Ficha Técnica:

Copa do Nordeste - Semifinal
Estádio Pituaçu, em Salvador, 28 de julho

Fortaleza 0

Felipe Alves, Gabriel Dias (Tinga), Quintero, Paulão, Bruno Melo, Felipe, Juninho, Marlon (W. Paulista), Mariano Vázquez (Romarinho), Osvaldo (Yuri César), David (Edson Cariús). Técnico: Rogério Ceni

Ceará 1

Fernando Prass, Samuel Xavier, Tiago Pagnussat, Klaus, Bruno Pacheco (Alisson), Charles, Fabinho (William Oliveira), Vinícius (Lima), Fernando Sobral, Cléber (Rafael Sóbis), Rick (Leandro Carvalho). Técnico: Guto Ferreira

Árbitro:Caio Max Augusto Vieira (RN).
Gol: Klaus (Ceará).
Cartões Amarelos: Paulão, Mariano Vázquez e Yuri César (Fortaleza). Charles, Willian Oliveira e Leandro Carvalho (Ceará)

 

 

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