Crianças de 0 a 14 anos são as mais atingidas
Não apenas os dados gerais relativos à pobreza e extrema pobreza no Ceará, e na região Nordeste como um todo, são preocupantes, como também seus desdobramentos e especificidades, a exemplo das faixas etárias mais atingidas. No Estado, um desses índices inquietantes é o de crianças entre 0 e 14 anos em situação de extrema pobreza, que supera o total para essa condição no Ceará, nos colocando em um "ciclo vicioso da pobreza".
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Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 22,38% das crianças cearenses nessa faixa etária são extremamente pobres. O levantamento tem como referência os dados do Censo 2010, mesma base utilizada pelo Atlas da Extrema Pobreza, elaborado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), em parceria com Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), que mostra que 15,90% da população do Estado vive em extrema pobreza. O número de crianças que vivem com menos de R$ 70 por mês supera em 6,48 pontos percentuais o índice total dessa condição no Ceará.
"O problema disso é que as crianças são as futuras gerações, e tem um contingente grande de pessoas em baixa qualidade de vida. Isso nos coloca num ciclo vicioso de pobreza no Estado, uma armadilha", alerta o diretor de Estatística e Geografia do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará (Ipece), Dércio Chaves. Segundo ele, mesmo com a redução do número de crianças nessa situação em relação a 1991, quando mais da metade era extremamente pobre, o cenário atual ainda exige muita atenção.
Atenção especial
"Eu destaco esse dado porque é preocupante no sentido de olhar para o futuro do nosso Estado", reforça Chaves. A região Nordeste, segundo ele, merece atenção especial nas ações de combate à pobreza, uma vez que concentra 52% do total de pobres do País - segundo o governo federal, pessoas que vivem com R$ 140 por mês estão na faixa da pobreza.
Apesar de reconhecer que os índices da pobreza sofreram uma queda nos últimos anos, o diretor de Estatística e Geografia do Ipece afirma que, principalmente desde o ano passado, a situação tem ficado complicada para as pessoas inclusas nessa faixa de renda.
"Vinha tendo uma tendência de queda, mas, a partir de 2013, a renda média do Estado sofreu um choque", explica, destacando a fragilidade de quem tem baixa renda.
O mercado de trabalho, considerado por Chaves como a variável chave no combate à pobreza, tem sofrido uma retração, trazendo mais consequências negativas para as pessoas de baixa renda no Ceará. "Não tirando a parcela de participação dos programas sociais, mas o mercado de trabalho é chave porque, dado o aumento da dinâmica, se tem um maior número de contratações e a economia fica aquecida", finaliza. (JC)