Problema pode ser solucionado com a educação
As ações voltadas para esse foco seriam complementares aos programas de transferência de renda
Sustentado pela expansão do mercado de trabalho e pela ampliação dos programas de transferência de renda, o combate à pobreza e extrema pobreza no Ceará precisa, agora, enveredar por um caminho que tenha como norte um investimento focado na educação.
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A avaliação é do pesquisador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), do Programa de Pós-Graduação em Economia (Caen) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlos Eduardo Marino, que também alerta para um possível incremento no número de pobres no Estado entre o ano passado e 2015.
"Estamos caminhando muito rapidamente para a erradicação da extrema pobreza, mas reduzir o montante atual é uma tarefa muito difícil para o governo. Precisamos passar por uma revolução educacional e aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro, o que também depende do sistema educacional", estabelece Marino.
As ações voltadas para a educação, observa, seriam complementares aos programas de transferência de renda e estabilização do mercado de trabalho, fatores que foram responsáveis por diminuir a pobreza não só no Ceará, mas no Nordeste.
Avanços
Neste sentido, acrescenta o pesquisador, o Ceará está indo bem, uma vez que os indicadores da educação no Estado mostram avanços qualitativos.
"Quando cruzamos os dados, verificamos que a educação pública do Ceará melhorou, sem dúvida, mais do que a maioria dos outros estados do Nordeste. Não somos o mais rico, mas temos uma das melhores educações", classifica, lembrando que os resultados dessa melhora virão a longo prazo.
Os dados atualizados da extrema pobreza no Ceará, contudo, adianta Marino, podem revelar um aumento no número de pessoas nessa condição, em comparação aos índices catalogados pelo Censo 2010 e utilizados no Atlas da Extrema Pobreza, elaborado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), em parceria com Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).
Incremento
"Com a atividade econômica reduzida e a seca se prolongando por mais um ano, quando os resultados de 2015 forem revelados, é provável que se tenha um incremento na pobreza, mesmo que pequeno", projeta.
Além dessa provável expansão na pobreza, os governos, em instância federal e estadual, devem enfrentar ainda outro desafio, na visão de Marino, para diminuir ao máximo os índices dessa situação.
"Se você observar os estados que já reduziram a pobreza, fica um resíduo de pessoas que você não consegue tirar, porque elas estão em uma situação de pobreza que vai além da insuficiência de renda e inclui, por exemplo, problemas de desagregação familiar", detalha o pesquisador.
Qualidade de vida
Ao analisar os dados do Atlas da Extrema Pobreza no Norte e Nordeste do Brasil em 2010, Marino também aponta outro ponto de vista, que trata da relação entre qualidade de vida e a medição monetária da pobreza. Segundo o levantamento, a maioria da população pobre e extremamente pobre do Estado está concentrada nos domicílios agrícolas.
"Mas existe uma série de bens não monetários que aumentam a qualidade de vida na área rural e não estão disponíveis na área urbana", explica, referindo-se a fatores como a criação de animais e aves para consumo e o deslocamento nessas áreas, que causa menos estresse. "Em um conceito de pobreza que tivesse mais dimensões, talvez a qualidade de vida na área urbana não fosse superior a da área rural, devido ao custo de vida", defende o pesquisador, sem negar as dificuldades nas regiões sertanejas do Estado e do País.
MUDANÇA
"Precisamos passar Por uma revolução educacional e aumentar a produtividade do trabalhador brasileiro"
Carlos Eduardo Marino, Pesquisador do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da UFC