Os passageiros do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, serão resgatados neste domingo (10). Vários países confirmaram que estão preparando aviões e planos de contingência para evacuar as pessoas que estão na embarcação.
A Alemanha, a França, a Bélgica, a Irlanda e a Holanda confirmaram neste sábado (9), que irão resgatar seus respectivos cidadãos.
Os Estados Unidos também devem enviar aeronaves para resgatar os americanos a bordo, enquanto a União Europeia (UE) deve enviar mais duas aeronaves para levar os cidadãos europeus restantes.
Os EUA e a UE ainda afirmaram que aviões e planos de contingência também serão providenciados para ajudar países fora da União Europeia que não conseguiram enviar transporte aéreo para resgatar seus cidadãos.
Como vai funcionar o resgate?
Segundo a Reuters, a previsão é de que o navio chegue ao Porto de Granadilla, localizado na ilha de Tenerife, na Espanha, na madrugada deste domingo, entre 3h e 5h do horário local (0h e 2h do horário de Brasília).
Ao chegar em terra firme, o processo de resgate deve começar com a evacuação dos cidadãos espanhóis. A ordem de saída dos outros grupos ainda será estipulada, visto que os passageiros só poderão deixar o cruzeiro após o avião de evacuação de seus respectivos países estar pronto para partir.
Segundo a ministra da saúde espanhola, Mônica Garcia Gomez, os passageiros poderão levar consigo apenas pertences essenciais. A ministra afirmou ainda que as bagagens restantes e os corpos das pessoas falecidas seguirão a bordo para a Holanda, onde serão desinfetados.
A evacuação deve acontecer entre as 12h de domingo (9h no horário de Brasília) e a tarde de segunda-feira (11). Todos os passageiros, assim como 17 tripulantes, deixarão o navio em Tenerife. Outros 30 tripulantes permanecerão a bordo e seguirão viagem para a Holanda.
Neste sábado (9), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebrey, chegou à Espanha. Ele deve se reunir com altos funcionários do governo em Tenerife para supervisionar o desembarque seguro dos passageiros.
Ghebrey afirmou em uma publicação no seu perfil no X, que está em contato com o capitão do navio e com um colega da OMS que está a bordo. Todos os cidadãos que serão resgatados vão ser submetidos aos planos de contingência e de isolamento.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo menos três pessoas morreram a bordo do navio MV Hondius, que viajava da Argentina para Cabo Verde. Outros cinco passageiros também estão infectados.
A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
Nesta semana, o diretor-geral da OMS disse que estava ciente de que existem outros relatos de pacientes com sintomas e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
Relembre os primeiros casos
Em coletiva de imprensa, o diretor da OMS detalhou a situação de cada um dos casos suspeitos de hantavírus. As informações são da Reuters.
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu cinco dias depois. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, a infecção por hantavírus foi descartada.
A viúva do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Seu estado de saúde piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no dia seguinte, marcando o segundo caso.
Amostras foram coletadas, testadas no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e confirmadas como hantavírus.
A terceira morte foi a de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A passageira, de origem alemã, também teve a doença respiratória confirmada.
Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril. Ele foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul três dias depois, onde permanece em terapia intensiva. O britânico foi o primeiro caso de hantavírus confirmado no navio.
Duas pessoas estão em condição estável no hospital, e uma é assintomática e já se encontra na Alemanha. O oitavo caso foi o de um homem que desembarcou em Santa Helena.
Mais atualizações devem ser feitas nos próximos dias.