Morre príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, aos 99 anos

A causa do falecimento ainda não foi revelada. Em fevereiro deste ano, ele passou por uma cirurgia cardíaca

Rainha Elizabeth II ao lado Príncipe Philip, falecido nesta sexta-feira (9)
Legenda: Rainha Elizabeth II ao lado Príncipe Philip, falecido nesta sexta-feira (9)
Foto: AFP

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, morreu aos 99 anos, segundo anunciou o Palácio de Buckingham nesta sexta-feira (9). A causa do falecimento ainda não foi revelada. Em fevereiro deste ano, ele chegou a ser internado no hospital King Edward VII preventivamente após sofrer um mal-estar.

O Príncipe Philip da Grécia e da Dinamarca, bisneto da rainha Victoria (como a própria rainha Elizabeth II), nasceu em uma mesa de cozinha na ilha de Corfu, em 10 de junho de 1921.

Pouco mais de um ano depois, em dezembro de 1922, foi retirado da ilha em uma caixa de laranjas com o restante da família em um navio britânico, quando o tio, o rei Constantino I da Grécia, avô da rainha da Espanha, teve que partir para o exílio.

Comunicado postado em rede social oficial da família real
Legenda: Comunicado postado em rede social oficial da família real
Foto: Reprodução/Twitter

No Twitter e no site oficial da família real, um comunicado foi publicado sobre o acontecimento. "É com profunda tristeza que Sua Majestade a Rainha anunciou a morte de seu amado marido, Sua Alteza Real, o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo. Sua Alteza Real faleceu pacificamente esta manhã no Castelo de Windsor".

Príncipe passou por internação por precaução

Príncipe Phillip sorrindo para foto durante caminhada
Legenda: Família real comunicou a morte do príncipe nesta sexta-feira (9)
Foto: AFP

Em fevereiro deste ano, o príncipe Philip, esposo da rainha Elizabeth II, foi internado no hospital King Edward VII e passou um mês no local após sofrer um mal-estar.

O príncipe Philip abandonou as atividades reais em agosto de 2017, após ter participado em mais de 22.000 atos relacionados ao cargo de cônjuge desde 1952, quando a esposa chegou ao trono. Ele acompanhava a rainha esporadicamente em alguma aparição pública.

Em junho de 2017, o príncipe foi hospitalizado por duas noites por causa de "uma infecção relacionada a uma patologia existente". Em 2018, fez uma cirurgia no quadril.

Em janeiro de 2019, sofreu um grande acidente quando a Land Rover  na qual estava colidiu com outro veículo que saía de uma trilha da propriedade real de Sandringham.

O veículo do príncipe capotou, mas Philip saiu ileso do acidente e depois renunciou à sua carteira de motorista. No final de dezembro, se internou no hospital King Edward VII e ficou em observação "devido a problemas de saúde pré-existentes", segundo o palácio.

Sem papas na língua

Uma tribo de Vanuatu chegou a venerar o príncipe como divindade ligada aos espíritos do vulcão Yasur. Seu temperamento foi vulcânico, sem qualquer consideração pelo politicamente correto, apesar de ter ficado mais calmo nos últimos anos.  

"Vocês têm mosquitos, eu tenho jornalistas", disse em 1966 - depois faria a comparação com os macacos de Gibraltar.

Na Austrália em 1960, um homem chamado Robinson o abordou e confessou: "Minha esposa, doutora em Filosofia, é muito mais importante que eu". "Temos o mesmo problema em minha família", respondeu o duque.

Príncipe Philip e rainha Elizabeth II em 1947
Legenda: Príncipe Philip e rainha Elizabeth II posam durante a lua de mel em 1947
Foto: AFP

Em outra oportunidade, um menino afirmou que desejava ser astronauta e Philip rebateu que ele estava muito gordo para voar.

Ao ser questionado se desejava visitar a União Soviética, respondeu: "Adoraria visitar a Rússia, mas estes caras assassinaram metade de minha família" (em referência ao destino dos Romanov).

A um instrutor de auto-escola escocês de Oban, ele perguntou: "Como você faz para manter os nativos suficientemente longe da bebida para aprová-los no exame?".

Seu entorno o ouviu reclamar milhares de vezes de seu destino, criticar a perda de valores ou reclamar das loucuras de seus quatro filhos nos anos 1980. "As pessoas têm a impressão de que príncipe Philip não se importa em nada com o que pensam dele, e têm razão", escreveu o ex-primeiro-ministro Tony Blair em suas memórias.

Infância traumática

De ascendência alemã, o duque nasceu príncipe da Grécia e da Dinamarca, em 10 de junho de 1921 na ilha grega de Corfu. Foi o quinto filho de Alice de Battenberg e Andrew da Grécia. A família fugiu quando ele tinha 18 meses, após a proclamação da república grega, e buscou refúgio em Paris.

O pai era frequentador dos cassinos de Monte Carlo. A mãe, depressiva, entrou para um convento. Philip tinha 10 anos. Deixado com parentes distantes, estudou em colégios na França, Alemanha e Grã-Bretanha até ser enviado para um austero internato escocês.

Ingressou na Marinha Real britânica e participou ativamente nos combates durante a Segunda Guerra Mundial no Oceano Índico e no Atlântico.

Foto tirada em 7 de agosto de 1950 em que o príncipe britânico Philip, duque de Edimburgo, de licença na Inglaterra, joga pólo, poucos dias antes do nascimento de seu segundo filho
Legenda: Príncipe britânico Philip jogando Pólo em agosto de 1950, poucos dias antes do nascimento de seu segundo filho
Foto: AFP

Era um jovem de 18 anos quando conheceu Elizabeth antes da guerra. Lilibeth, como a chamava, tinha 13 anos e se apaixonou. Os dois casaram oito anos depois, em 20 de novembro de 1947. Philip, nomeado duque de Edimburgo, teve que renunciar aos títulos de nobreza anteriores e a sua religião ortodoxa, convertendo-se à Igreja Anglicana.

Em fevereiro de 1952, a morte prematura de seu sogro, o rei George VI, marcou o fim de sua carreira de oficial na Marinha e deu início ao período como príncipe consorte.

Neste arquivo, foto tirada em 20 de novembro de 1947, a princesa britânica Elizabeth e Philip posam no dia do casamento no Palácio de Buckingham em Londres em 20 de novembro de 1947
Legenda: A rainha Elizabeth, então princesa, e Philip posam no dia do casamento no Palácio de Buckingham, em Londres em 20 de novembro de 1947
Foto: AFP

Casamento com Rainha Elizabeth II

Príncipe Philip e a Rainha Elizabeth II fariam 74 anos de casados em novembro deste ano. Na ocasião, os dois, que já estavam juntos há 73, iriam manter o recorde de união mais duradoura da Família Real Britânica.

Apesar do período longo juntos, o casamento entre os dois sempre foi cercado de boatos a cerca da infidelidade do príncipe. Ainda em 1948, o primeiro deles surgiu: ele teria se encontrado com a dançarina Patricia Kirkwood.

No entanto, o nobre sempre foi taxativo ao alegar que não manteve nenhum tipo de relacionamento extra-conjugal. Em 1992, por exemplo, chegou a dizer que, por sempre estar acompanhado, jamais conseguiria fazer tal ato em sigilo.

Segundo estudiosos da família real, inclusive, Philip seria bastante ligado à rainha. Em entrevista à BBC britânica, ele chegou a dizer que o sucesso do matrimônio estava intimamente conectado à paciência.

"Acho que a principal lição que aprendemos é que a tolerância é o ingrediente essencial de qualquer casamento feliz. Pode não ser bem assim importante quando as coisas estão indo bem, mas é absolutamente vital quando as coisas ficam difíceis", explicou em 1997.

Proximidade com a princesa Diana

Ainda em 2007, cartas entre a princesa Diana e o príncipe Philip foram divulgadas em meio ao inquérito que investigou as causas da morte de Lady Di.

Philip e Elizabeth no funeral da princesa Diana
Legenda: Tanto príncipe Philip como a Rainha Elizabeth II compareceram ao funeral da princesa Diana
Foto: AFP

Mesmo sem detalhes mais específicos da relação entre os dois, a sensação de amizade ficou evidente.

Nas cartas, Diana se referiu a Philip como "querido pai", e o príncipe teria se colocado à disposição para ajudar nos embates entre ela e o príncipe Charles.

"Se eu for chamado, sempre farei tudo o que estiver a meu alcance para ajudar você e Charles, mas reconheço que não tenho talento como conselheiro conjugal", teria escrito Philip, segundo publicação da Reuters.

"Querido pai, fiquei especialmente comovida com sua carta mais recente, que me provou, caso eu já não o soubesse, que o senhor realmente se preocupa conosco", teria respondido Diana na época. 

 
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