Aniversário de 472 anos de Salvador: relembre história da primeira capital do Brasil

Capital da Bahia, atualmente com 2,88 milhões de habitantes, abriga também construções históricas desde o século de descobrimento do País

Vista de Salvador na Baía de Todos os Santos
Legenda: Salvador virou capital baiana pouco tempo depois de a Baía de Todos os Santos virar capitania hereditária.
Foto: arquivo/IBGE

Primeira capital do Brasil, a cidade de Salvador completa 472 anos nesta segunda-feira (29). Além de ser a cidade mais populosa do Nordeste, com 2,88 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município da Bahia é lar de muita história, que pode ser vista nas tradições, na arquitetura e na cultura local da data oficial da fundação para cá.

Quem fundou Salvador

Embora só tenha sido fundada oficialmente em 1549 por Tomé de Sousa, a capital baiana foi descoberta em 1501, conforme o pesquisador Louti Bahia. Em entrevista ao portal iBahia, ele pontua que o militar português chegou às terras da Baía de Todos os Santos com mil homens em seis embarcações.

Formação da cidade

Segundo o pesquisador, do total de pessoas trazidas, "um terço era de soldados, um terço de profissionais especializados em construção — marceneiros, carpinteiros, pedreiros, etc. — e o outro terço eram degredados que ganharam a liberdade em troca do trabalho pesado na construção da primeira capital do Brasil".

Ele acrescenta que, com Tomé de Sousa, vieram também seis padres jesuítas liderados pelo padre Manoel da Nóbrega. No entanto, após a chegada desses grupos, percebeu-se que não havia uma mulher entre os imigrantes.

"O padre, sensível aos apelos constantes dos homens que queriam esposar e constituir família, escreveu ao Rei de Portugal uma carta onde apelou para que Portugal enviasse mulheres. E realmente elas chegaram algum tempo depois trazidas da França”, afirma.

Vista de Salvador na Baía de Todos os Santos
Legenda: Salvador virou capital baiana pouco tempo depois de a Baía de Todos os Santos virar capitania hereditária.
Foto: arquivo/IBGE

No ano de 1534, segundo o IBGE, a Baía de Todos os Santos, então capitania hereditária, foi doada a Pereira Coutinho pelo governo português. Assim, um povoado que incluía a Ponta do Padrão, atual Barra, começou a se formar, vindo a constituir a futura capital do País. Em 1624, Salvador foi invadida pelos holandeses e reconquistada no ano seguinte.

Salvador foi capital e sede da administração colonial do País até 1763, quando a sede imperial foi transferida para a cidade do Rio de Janeiro.

Construções históricas de Salvador

Farol da Barra, na Bahia
Legenda: O Farol da Barra, marco histórico de Salvador, também vem antes da fundação oficial da cidade.
Foto: arquivo/IBGE

O Farol da Barra, marco histórico de Salvador, vem antes da sua fundação oficial. “Ele foi erguido em 1536 por Francisco Pereira Coutinho, o donatário da Capitania Hereditária da Baía de Todos os Santos”, diz Louti Bahia, ressaltando que a construção, contudo, era diferente da atual — originalmente, ela foi construída de madeira e palha. A Igreja da Graça, uma das centenas existentes na cidade, também já existia desde 1535.

Na época da construção de Salvador, foram construídos outros prédios que até hoje marcam presença na arquitetura da cidade. Dentre eles, estão a Casa de Câmara e Cadeia, atual Câmara de Vereadores; o Palácio do Governo, atual Palácio Rio Branco; a Praça Central, atual Praça Municipal.

Outras duas igrejas diretamente ligadas à Cidade do Salvador — a Igreja da Ajuda, conhecida como Sé de Palha, e a igreja da Conceição, erguida fora dos muros da capital baiana — também datam desse período.

Veja mais detalhes sobre os pontos históricos e turísticos de Salvador.

Palácio Rio Branco

Palácio Rio Branco, em Salvador
Foto: arquivo

Construído a partir de 1549, o Palácio foi sede do governo do Brasil por mais de dois séculos. A construção original era feita de taipa e seguiu localização planejada estrategicamente para vista da Baía de Todos os Santos. O prédio foi reedificado em alvenaria de pedra e cal em 1551.

Câmara dos Vereadores

Câmara dos Vereadores
Foto: arquivo/IBGE

O prédio, construído em 1549, foi feito com paredes de taipa e telhado de palha. No entanto, dois anos depois, foi reedificado com pedra e cal, além de coberto por telhas, passando por outras reformas ao longo dos séculos. Em 1970, houve reforma para que a fachada retornasse ao seu estilo original colonial.

Pelourinho

Pelourinho, em Salvador
Foto: arquivo

O Pelourinho também data do ano de fundação de Salvador. No entanto, a história do ponto turístico tem um passado sangrento: o termo é uma nomenclatura dada a um tronco em que eram amarrados cidadãos que cometessem algum crime, virando, posteriormente, instrumento de abate de escravizados. O mecanismo foi transferido a uma ladeira, que passou a ser chamada de Ladeira do Pelourinho.

Igreja da Ajuda

Igreja da Ajuda, em Salvador
Foto: arquivo

O templo marcou história a ser o primeiro construído dentro dos muros de Salvador, em 1549, o primeiro a abrigar jesuítas no País e a primeira catedral do Brasil, em 1552. No entanto, a primeira edificação não existe mais — ela foi reconstruída duas vezes. A atual foi reconstruída a partir de 1912 após demolição da antiga para alargamento da rua, sendo inaugurada em 6 de julho de 1923.

Igreja da Conceição

Igreja da Conceição, em Salvador
Foto: Fábio Marconi

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia foi construída após determinação de Tomé de Sousa em 1549. Ele também ordenou a criação da Ladeira da Conceição para acessar as obras da Cidadela, na parte alta. O material usado no tempo foi pré-fabricado em Portugal, e parte original do templo ainda existe no interior do prédio atual.

Elevador Lacerda

Elevador Lacerda, em Salvador
Foto: arquivo/IBGE

Embora seja bem mais recente, o Elevador Lacerda é o primeiro elevador urbano do mundo e um dos principais cartões-postais da cidade. Inaugurado em 1873, o mecanismo cumpre a função de transporte público entre a Praça Cairu, na Cidade Baixa, e a Praça Tomé de Souza, na Cidade Alta, até hoje. A vista da Baía de Todos os Santos, do Mercado Modelo e do Forte de São Marcelo pode ser apreciada do equipamento.