Suspeito de extorquir religioso fingia ser traficante para tirar dinheiro de famílias de dependentes químicos

Desdobramentos de investigação realizada pela Polícia Civil apontam que Fernando Araújo trabalhou na clínica particular por seis anos. Suspeito está preso

Montagem com trechos de conversa do suspeito com familiares no WhatsApp
Legenda: As ameaças eram cometidas por meio de textos enviados em redes sociais
Foto: Divulgação/SSPDS

Preso suspeito de extorquir uma autoridade religiosa através de um aplicativo de mensagens, Fernando Araújo Bastos, de 30 anos, também é suspeito de se passar por traficante e extorquir familiares de pacientes de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, no bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza. 

É o que apontam os desdobramentos de investigações realizadas pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), iniciadas com a suposta extorsão contra o padre, e divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nesta segunda-feira (18). 

A PC-CE já identificou duas vítimas que realizaram os pagamentos. As ameaças eram cometidas por meio de textos enviados em redes sociais. 

Trechos de conversas via WhatsApp, divulgados pela Polícia, revelam que o suspeito fazia ameaças contundentes aos parentes dos pacientes, alegando que não teriam honrado dívidas de drogas.

"Pode falar pra ele que eu vou até o inferno atrás do meu dinheiro viu? Diga a ele que, se ele não me pagar, eu mato ele. Tô avisando. Quer cheirar cocaína de graça e não quer pagar?", diz uma das mensagens.

Em outro trecho, o preso ameaça uma mãe: "Se meu dinheiro não aparecer, eu vou me passar por um cliente dele, vou marcar uma visita a um imóvel e lá eu descarrego minha pistola todinha na cara dele e a dívida fica paga", ameaça, frisando que sabe onde o filho da mulher mora e trabalha. "É melhor resolver do que ter que gastar dinheiro com enterro do seu filho. Obrigado e bom dia". 

Suspeito trabalhou em clínica particular

De acordo com a SSPDS, as vítimas das extorsões são parentes de pacientes de uma clínica particular, onde o suspeito trabalhou como gerente de tratamento durante seis anos

“Os pacientes acolhidos são de famílias com boas condições financeiras. Ele sabia disso e era obstinado, enérgico na cobrança às vítimas, fingindo ser um traficante que cobrava dívidas relacionadas ao tráfico de drogas. Caso os valores não fossem pagos, o homem afirmava que os pacientes seriam mortos”, detalhou o delegado Marcos Renato, da Delegacia Regional de Quixadá, um dos responsáveis pela investigação.

As extorsões, segundo a investigação, teriam sido iniciadas quando Bastos ainda trabalhava na clínica. Mesmo após ser demitido, manteve os contatos dos familiares no celular pessoal e intensificou a prática, em represália à demissão. 

Prisão 

Sem antecedentes criminais, Fernando Araújo foi preso temporariamente pela Polícia Civil, na última sexta-feira (15), em uma residência no bairro Lagoa Redonda, após ameaçar divulgar fotos e vídeos íntimos de um suposto padre de Quixadá, que seria próximo a uma autoridade religiosa.

O crime de extorsão ocorria desde 22 de agosto. Conforme a SSPDS, a unidade policial já pediu a prorrogação da prisão do suspeito.

Durante a Operação “Manus Dei”, que significa “Mãos de Deus”, os policiais apreenderam dois notebooks, dois celulares com chips, um HD externo, um roteador e quatro pen-drives, todos submetidos à perícia técnica. 

Denúncias

A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As denúncias podem ser feitas para o número 181, o Disque-Denúncia da SSPDS, ou para o Whatsapp (85) 3101-0181, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia.

As informações também podem ser direcionadas para o (88) 3445-1047, da Delegacia Regional de Quixadá. A Secretaria da Segurança Pública afirma garantir o sigilo e anonimato.

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