Grupo suspeito de aplicar golpe do empréstimo consignado em servidores públicos é preso na Aldeota

Conforme a Polícia, os valores dos empréstimos chegavam a R$ 700 mil. Grupo já movimentou R$ 12 milhões

Materiais apreendidos pela Polícia Civil em sede de empresa que fazia golpes de empréstimos. Na imagem, há computadores, celulares, cadernos, pastas e o escudo da Polícia Civil
Legenda: Diversos materiais foram apreendidos na sede da empresa, entre notebooks, documentos, cadernos com anotações, aparelhos celulares e crachás
Foto: Divulgação/ SSPDS

Oito pessoas foram presas, nessa terça-feira (29), por envolvimento na aplicação de golpes contra servidores públicos por meio de substituição de empréstimos consignados. Conforme a Polícia, os valores dos empréstimos chegavam a R$ 700 mil.

As prisões, feitas pela Polícia Civil do Ceará (PCCE), ocorreram no âmbito da segunda fase da operação “Portabilidade Falsa”, tendo como alvo uma empresa sediada no bairro Aldeota, em Fortaleza. Os presos foram identificados como:

  • Amabilly Evelly Belmino Castro, 29 anos;
  • Edilma da Anunciação Silva, 42 anos;
  • Ítalo Ricardo Lourenço Cortez, 25 anos;
  • Jane da Silva Constantino, 38 anos;
  • Leonardo Ícaro da Silva, 24 anos;
  • Natália Gomes, 31 anos;
  • Simone Nogueira Lima, 35 anos;
  • Ruan Silva Teixeira, 19 anos.

O grupo foi autuado pelos crimes de estelionato, crime contra a ordem tributária, na Lei de Crimes de Lavagem de Dinheiro, e organização criminosa, estando à disposição da Justiça.

No caso denunciado às autoridades, quatro vítimas não fizeram acordos com a organização, mas receberam valores em dinheiro em suas contas. Ao entrarem em contato com os supostos atendentes da empresa, elas foram orientadas a fazer depósitos de volta para o proprietário da firma, o que consumaria o golpe.

Como o golpe ocorria

De acordo com o delegado Andrade Júnior, titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), o grupo possuía um sistema no qual havia dados das vítimas da ação ilícita. "Conseguiam os dados da vítima, endereços, telefones, salário e margem de crédito dessas vítimas, e aplicavam o golpe. Inventavam essa questão da portabilidade e induziam a vítima a assinar um contrato de empréstimo", explica.

As vítimas só tinham conhecimento do empréstimo após o valor entrar nas contas delas. Quando elas percebiam as quantias, buscavam os golpistas informando não ter pedido o empréstimo. O grupo, então, respondia que a transação fora um erro, oferecendo, em seguida, um contrato de cessão.

Nesse contrato, eles induziam os contratantes a depositar 90% desse empréstimo na conta da empresa, a qual afirmava que pagaria as parcelas, e os 10% restantes ficaram com as vítimas — o que, para elas, representaria um "bom negócio", segundo Andrade Júnior. No entanto, depois de pagar "duas ou três" parcelas, a empresa parava com os pagamentos, deixando as vítimas no prejuízo.

Ainda segundo o delegado da DDF, o grupo tinha um mesmo modus operandi, mudando de empresa para evitar que as pessoas façam as cobranças. Dentre as vítimas, estão militares, aposentados e funcionários públicos.

Os valores dos empréstimos, conforme Andrade Júnior, variam entre R$ 50 mil e R$ 700 mil. "Muitas vítimas buscaram a delegacia, e a gente acredita na faixa de pelo menos 100 vítimas. Temos um grupo aí que tem 40 vítimas num grupo de WhatsApp só dessa organização criminosa", pontua. A investigação calcula que o grupo já movimentara mais de R$ 12 milhões no Estado.

Investigação sobre golpes similares

Equipes da DDF vêm investigando ações de cinco empresas suspeitas de aplicar golpes contra servidores públicos em território cearense. Na apuração, os agentes descobriram que as vítimas eram surpreendidas pelos suspeitos, que ofereciam vantagens para que a portabilidade dos empréstimos consignados fosse realizada.

A investigação aponta que o grupo desarticulado nessa terça era o "braço" de outra empresa, da qual sete pessoas foram presas, em 11 de junho, suspeitas da aplicação de golpe de natureza parecida. A sede do primeiro grupo, inclusive, ficava localizada no mesmo prédio do grupo capturado nessa terça.

A DDF segue apurando os casos com a intenção de identificar e localizar outros envolvidos na ação ilícita. A PCCE ressalta que pessoas que sentirem lesadas por ação similar devem ir a uma unidade policial para registro do caso.

Como denunciar

Caso queira contribuir com as investigações, a população pode repassar informações para número 181, o Disque-Denúncia da SSPDS; o telefone (85) 3101-2505, da DDF, ou para o (85) 3101-0181 (WhatsApp). Neste número, podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia. O sigilo e o anonimato são garantidos pelas autoridades.

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