Dono de falsa casa espírita no Crato é preso sob suspeita de estuprar e torturar mulheres

O homem prometia fazer curas espirituais, mas dopava as vítimas para praticar os crimes

Escrito por Redação seguranca@svm.com.br
10 de Dezembro de 2021 - 09:37 (Atualizado às 12:26)
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Legenda: Ex-técnico de enfermagem foi detido pela Polícia Civil
Foto: Reprodução/TVM

O dono de uma falsa casa espírita no Crato, na Região do Cariri, foi preso na manhã desta sexta-feira (10). Ele é suspeito de estuprar e torturar mulheres durante rituais de purificação para suposta cura espiritual.

Francisco José Alexandre de Sousa, 52, ex-técnico de enfermagem e proprietário do "Lar Espírita Maria de Nazaré", no bairro Mirandão, teve o mandado de busca e prisão expedido pela 1ª Vara Criminal.

A ordem judicial foi cumprida pela Polícia Civil na Operação "Santo Nome em Vão", cujo nome faz referência ao segundo dos 10 mandamentos da Lei de Deus. 

Francisco José Alexandre de Sousa era proprietário do Lar Espírita Maria de Nazaré
Legenda: Francisco José Alexandre de Sousa era proprietário do Lar Espírita Maria de Nazaré
Foto: Reprodução

Segundo as investigações, o suspeito prometia curar as doenças relatadas pelas mulheres ministrando remédios. As vítimas, no entanto, eram dopadas e submetidas a estupro e a sessões de tortura. Ele argumentava que os atos serviam para tirar espíritos impuros.

A Polícia Civil fará uma entrevista coletiva, ao meio-dia, para repassar mais detalhes sobre a operação.

Velas, álcool e banho medicinal

O falso religioso praticava ainda rituais com velas, momento em que uma das denunciantes sofreu queimadura na mão, além de bebidas alcoólicas e banhos medicinais para a prática de atos libidinosos.

As vítimas relataram à polícia que Francisco José também as ameaçavam. Uma delas teve a arma apontada na cabeça após ele alegar que ela era sua "prometida". Esta desculpa era dada para "várias mulheres" sob a justificativa de que sua esposa estava prestes a falecer.

O advogado João Paulo Peixoto, responsável pela defesa de três vítimas, afirmou que as mulheres relataram agressões física e psicológica por parte do falso líder religioso. Uma delas quis atentar contra a própria vida diante das múltiplas violências.

"São atrocidades, inclusive uma delas chegou a tentar suicídio por conta da pressão psicológica e do sofrimento que teve por todo esse tempo de agressões verbais, físicas e ameaça", disse.

 

 

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