Conselheiro de facção criminosa e principal articulador de ataques no Ceará é preso em Fortaleza

O carioca já havia sido detido no Sistema Penitenciário do Estado e transferido para um presídio federal de segurança máxima no Rio Grande do Norte

Ataques Ceará facções criminosas 2019
Legenda: Os ataques a patrimônios públicos e privados aconteceram em 2019 em várias regiões do Estado
Foto: Camila Lima

Um conselheiro de uma facção criminosa nacional com atuação no Ceará apontado pela Polícia Civil como o principal articulador dos ataques a patrimônios públicos e privados que aconteceram em 2019 no Estado foi preso no bairro Pirambu, em Fortaleza. A captura de Daniel Belmiro José Rodrigues, o "Negão", foi divulgada pela instituição na terça-feira (20).

O homem, de 49 anos e natural do Rio de Janeiro, já havia sido detido no Sistema Penitenciário cearense e transferido para um presídio federal de segurança máxima no Rio Grande do Norte, por ordenar ataques.

Na ofensiva, os policiais civis apreenderam dois aparelhos celulares, um veículo e uma quantia em dinheiro que estavam com ele.

Daniel Belmiro tem passagens por roubos, receptação, dano, porte ilegal de arma de fogo, extorsão mediante sequestro e associação criminosa.

Captura de comparsas

Em 2019, foram presos Milene Constantino dos Santos e Ackel Jarley Bezerra Ferreira, o 'Pantera'. Eles eram, respectivamente, a esposa e o homem tido como a pessoa de confiança de "Negão".

De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Daniel Belmiro foi o comprador da carga de 5,7 toneladas de explosivos roubada em Aquiraz em 2018.

Milene Constantino e "Pantera" guardavam a carga. Preocupado com a transferência do chefe e a dificuldade de comunicação, Ackel Jarley chegou a pedir para a esposa de "Negão" assumir o negócio, mas o esquema foi interceptado antes.

A carga quase completa (5,6 toneladas) foi apreendida em um depósito no Jangurussu e em uma residência na Granja Lisboa.

Lista de cadastro de novos membros

Uma pequena parcela dos explosivos já tinha sido utilizada para atacar equipamentos e aterrorizar a população. À época, a Polícia Civil acreditava que, além de utilizar o material nos ataques, a facção criminosa vendia ao bando rival.

Devido à prisão de chefes de facções criminosas, em 2019, a Polícia Civil chegou a uma lista de cadastro dos novos membros de um grupo local, presentes em várias regiões do Ceará.

Assalto a bancos e apoio de vereador

Em 2016, Daniel Belmiro foi considerado suspeito de integrar uma quadrilha que realizava assaltos a bancos dentro e fora do Estado.

Nos celulares dele e de Rodrigo Honorato Alves, também tido como suspeito, foram encontradas mensagens de áudio com um então vereador da cidade de Nova Russas, identificado como José Roberto Alves da Costa. 

Nas conversas, o grupo combinava lugares onde iam se encontrar, as estradas para serem utilizadas na procura do carro-forte e a busca de uma pessoa de confiança para dar apoio à quadrilha. Segundo o Comando Tático Rural (Cotar), a função do ex-parlamentar era realizar a logística do bando.

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