Acusados de criar grupo de WhatsApp para organizar ataques no Ceará são condenados

A Justiça apontou que a quadrilha integrava facção criminosa e se preparava para atacar prédios públicos no Litoral Leste do Estado, em janeiro de 2019

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Legenda: Os ataques aconteceram em diversas regiões do Estado do Ceará, durante quase duas semanas
Foto: Camila Lima

O Judiciário cearense condenou quatro membros de uma facção criminosa. De acordo com a sentença, a quadrilha esteve envolvida na organização de ataques na cidade de Beberibe, no Litoral Leste. O crime aconteceu em janeiro de 2019, período que o Governo enfrentou uma sequência de ofensivas comandadas pelas organizações.

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Foram condenados Danilo Andrade de Souza, Francisco Vasco Pierre de Souza, Gerliane Freire Felipe e Davi Monteiro Gondim. Na mesma decisão proferida nesta semana na Vara de Delitos de Organizações Criminosas foram absolvidos os réus Caroline Ferreira Serpa, Carlos César Augusto da Silva e Lauana Melo do Nascimento "por não exitir prova de terem concorrido para a infração penal".

Há pouco mais de dois anos, o bando teria participado de um grupo de WhatsApp 'União de Amigos' criado com intuito de arregimentar pessoas para combinar ataques a pontos específicos na cidade de Beberibe. Alguns dos prédios alvos eram os da Prefeitura, Polícia Militar, postos de gasolina e postos de saúde. Os condenados são apontados como membros de uma facção de origem carioca.

O tempo de prisão sentenciado varia. Para Danilo foi determinado 10 anos de reclusão; Francisco Vasco, oito anos e quatro meses; Gerliane, seis anos e 11 meses; Davi, oito anos e quatro meses. A Justiça negou a todos eles o direito de recorrer em liberdade.

Em trecho da decisão ficou dito que: "os acusados, em seus interrogatórios, não trouxeram qualquer elemento capaz de infirmar a prova produzida, limitando-se a negar o delito. Tal versão, todavia, é totalmente dissociada da prova dos autos". A reportagem não localizou os advogados da defesa.

Denúncia

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE) ofertada em abril de 2019, Danilo e Pierre já estavam presos e, juntos tiveram a ideia de comandar ataques. Pierre ordenou que Davi entregasse as armas de fogo para auxiliar na ofensiva.

Os ataques aconteceriam na madrugada do dia 5. O bando chegou a fabricar coquetel molotov para explodir os prédios e comprou galões de gasolina. No dia 4, Gerliane foi presa em flagrante por tráfico de drogas, em Aracati.

Foi autorizada busca e apreensão na casa da suspeita. No celular dela foi descoberto o grupo 'União dos Amigos'. "De acordo com a denúncia, o grupo foi criado pelo acusado Francisco Vasco Pierre, integrante do Comando Vermelho, um dia antes do início dos ataques generalizados em todo o Estado do Ceará", disse a Justiça.

O inquérito apontou que "os diálogos deste grupo criminoso relatavam de forma minuciosa como seria a atuação e a concretização desses ataques". Davi foi preso em 14 de janeiro e os demais nos dias seguintes.

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