Chefes de facção são presos em investigação sobre queima de fogos em apologia ao crime

A queima de fogos de artifício indica o domínio de territórios antes considerados áreas "neutras" do tráfico de drogas

Foto: Foto: Isaac Macêdo

Investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) sobre queima de fogos em alusão a grupos criminosos em Fortaleza levou à prisão de dois chefes de facção nestas segunda (22) e terça-feiras (23). A polícia já havia capturado mais de 10 suspeitos em ações de combate a essas organizações ilícitas no último sábado (20).

A queima de fogos de artifício indica o domínio de territórios antes considerados áreas "neutras" do tráfico de drogas, segundo apuração da reportagem do Sistema Verdes Mares junto a fontes da Inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) 

De acordo com o delegado Harley Filho, a Draco vem mapeando os chefes de bairros e municípios do Ceará pra desestruturar o avanço desses grupos criminosos. 

 “No que diz respeito à queima de fogos de artifício, isso é uma resposta pra sociedade e pra criminalidade, que caso isso ocorra, a polícia vai intensificar ainda mais os trabalhos no combate ao crime organizado. E que, de certa forma, prendendo possíveis lideranças locais, isso vai arrefecer também a criminalidade na região”, apontou o delegado. 

Foto: Foto: Isaac Macêdo

Chefes de bairros e municípios

Carlos da Silva de Sousa, de 28 anos, é apontado como chefe de facção na cidade Guaiúba e, recentemente, teria ganho espaço na cidade de Barreira, segundo Harley Filho. 

O homem é suspeito de participar de homicídios ocorridos em Guaiúba e ser mandante de um triplo homicídio em Barreira. Com ele, além de drogas e uma arma de fogo, a polícia encontrou um caderno com o balanço do comércio ilegal de entorpecentes.  

Em Fortaleza, Carlos, conhecido como Carlinhos ou “K2”, chefiava o crime na região do Bairro Sapiranga e adjacências. 

No dia seguinte à prisão de Carlos, a Draco localizou e prendeu um segundo indivíduo suspeito de chefiar a comunidade da Rosalina, no Bairro Parque Dois Irmãos, em Fortaleza. 

Francisco José da Silva, de 38 anos, foi preso na Rosalina, tentou fugir, mas a polícia conseguiu o capturar. Com ele, foram apreendidas quatro armas de fogo.