Primeiro fóssil de coração é da Bacia do Araripe, no CE

É a primeira vez que se tem certeza da descoberta de um coração fossilizado de um vertebrado

Escrito por
Elizangela Santos - Colaboradora producaodiario@svm.com.br
Legenda: A revista inglesa eLife mostra o coração fossilizado em 3D perfeitamente preservado de um peixe com cerca de 113 a 119 milhões de anos de idade, achado na Região do Cariri

Crato. A descoberta inédita de um coração fossilizado de peixe em três dimensões - com mais de 100 milhões de anos - chama a atenção de pesquisadores do mundo inteiro com anúncio, pela revista inglesa eLife. É a primeira vez na história do Planeta Terra que se tem certeza da descoberta de um coração fossilizado de um vertebrado. Foram encaminhadas para estudo diversas amostras do peixe já extinto Rhacolepis, encontrado em Municípios da região, como Santana do Cariri e Jardim.

O mais novo exemplar volta os olhares do mundo da Paleontologia para a Chapada do Araripe. A revista mostra o coração fossilizado em 3D perfeitamente preservado de um peixe com cerca de 113 a 119 milhões de anos de idade, achado no Brasil. É a primeira vez na história do Planeta que se tem certeza da descoberta de um coração fossilizado de um vertebrado.

O achado, que vem sendo estudado há vários anos, demonstra o imenso potencial para mais descobertas dessa natureza na região, permitindo que discussões sobre a anatomia comparada dos órgãos moles em organismos extintos e como eles evoluíram ao longo do tempo.

Encontrar um coração fossilizado completo em um peixe com mais de 100 milhões de anos foi um grande avanço para o pesquisador José Xavier Neto, do Laboratório Nacional de Biociências Brasileiras (LNBIO); Lara Maldanis, da Universidade de Campinas (Unicamp); Vincent Fernandez, da Facilidade Europeia Síncrotron Radiação; e colegas de todo o Brasil e da Suécia.

Doutorando em Geologia, Idalécio Freitas, da Universidade Regional do Cariri (Urca), é um dos integrantes da equipe de trabalho, que inclusive chegou a levar 64 amostras dos fósseis para São Paulo, com a autorização do DNPM, e em três delas foi encontrado coração petrificado. O pesquisador destaca o grande avanço para a ciência mundial desse trabalho, que tem à frente o médico cardiopata, José Xavier Neto. "A partir dos primeiros exames ele detectou partes moles", afirma.

Os estudos na área de cardiopatias congênitas terão avanços consideráveis, conforme Idalécio. Nas análises, foi detectada a existência de quatro válvulas no coração do peixe, o que não acontece nas espécies atuais, com apenas duas. "Com isso, abre-se uma perspectiva de avanços relacionados aos estudos de anatomia e produção de válvulas cardíacas para implante", diz. Para o professor, essa é uma prova do processo de evolução das espécies ao longo do tempo.

Para o pesquisador Ypsilon Félix, pela primeira vez realmente há um ponto de dados para estudar a anatomia em detalhe de um coração fossilizado em um grupo extinto de peixes da Chapada do Araripe. O material vinha sendo estudado por vários pesquisadores brasileiros. Um deles, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ismar Carvalho, que integrou a equipe do professor Xavier. Há décadas ele estuda os fósseis da Chapada do Araripe.

A amostra examinada de fóssil se encontra no LMBIO, em São Paulo, e será encaminhada para o museu do Departamento Nacional de Proteção Mineral (DNPM), no Cariri. Oficialmente, a descoberta foi anunciada na última terça-feira, e somente na quarta houve a publicação.