Feira de Caruaru tem de tudo

Legenda:
Foto:
O comércio é um dos mais tradicionais e populares do País e recebe clientela de toda a região nordestina

Caruaru (PE). "A Feira de Caruaru, faz gosto a gente vê. De tudo que há no mundo, nela tem pra vendê". Os versos do compositor caraurense Onildo Almeida são a síntese do que representa para os nordestinos essa autêntica realização popular. Não há qualquer exagero na afirmação de que ali tem de tudo. A música "Feira de Caruaru" foi composta e gravada por Onildo em 1956. No ano seguinte, ganhou repercussão nacional na voz de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

No século XVIII, boiadeiros, tropeiros e mascates que percorriam o Estado de Pernambuco e pernoitavam na Fazenda Caruaru, impulsionaram o surgimento de um comércio de itens e serviços ligados ao gado, que se transformaria na feira. O comércio tomou tal dimensão que, no seu entorno, nasceu a cidade de Caruaru, a mais populosa do interior pernambucano, distante 130 quilômetros de Recife. A feira é reconhecida pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial brasileiro desde 2006.

Localizada no Parque 18 de Maio - data da emancipação política da cidade - ocupa uma área de 43 hectares, sem contar com mais 15 hectares que são destinados para o estacionamento de ônibus, caminhões, vans e veículos particulares, que chegam todos os dias, de várias localidades do Nordeste.

Visitantes

A frequência impressiona. Em dias mais movimentados, chega a superar a faixa de 100 mil pessoas, conforme o diretor de feiras e mercados de Caruaru, Paulo Sérgio da Silva. O local é dividido em departamentos. Dentro do espaço, funcionam comércio de carnes, feijão e farinha, flores, panelas, calçados, roupas, raízes e ervas, lanches, ferro velho, artesanato e importados, um dos mais concorridos.

Além disso, há as feiras de passarinhos e do troca-troca, sem se falar nos dois principais eventos: a famosa Feira da Sulanca e a feira livre, que funciona aos sábados.

Importância

"Sem dúvida alguma, a Feira da Sulanca é mais importante. Ela começou há 80 anos no Centro da cidade. Passou mais de 40 anos na Avenida 15 de Novembro e, posteriormente, foi transferida para perto da rodoviária, de onde foi trazida, há 12 anos, para o Parque 18 de Maio", explica Paulo Sérgio da Silva.

Sulanca é um termo que denomina um tipo de confecção vendida antigamente. "Não era uma roupa de boa qualidade, mas foi se aprimorando com a tecnologia e foi transformando Caruaru num dos principais polos exportadores de moda do Nordeste, com o apoio das universidades, que, seguindo essa tendência, passaram a oferecer cursos de moda, o que qualificou ainda mais a produção feita aqui", destaca.

O Parque 18 de Maio tem 60% da sua área coberta por câmeras que filmam toda a movimentação. O monitoramento, além de auxiliar na segurança, serve para as polícias Civil e Militar e da autarquia de trânsito realizarem levantamentos que são utilizadas pela área de inteligência. "Caruaru é hoje fruto do que foi construído no entorno da Feira da Sulanca, que agrega vários segmentos econômicos da cidade", conclui Paulo Sérgio.

Fernando Maia
Repórter

História

"Sem dúvida, a feira da Sulanca é a mais importante. Ela começou há 80 anos no Centro da cidade"
Paulo Sérgio da Silva
Diretor de Feiras e Mercados de Caruaru

FORA DO CENTRO
Prefeitura promete mudança até fim de 2012

Caruaru (PE). "A cidade cresceu bastante, está se verticalizando e não comporta mais um equipamento, como a Feira da Sulanca, praticamente dentro do seu centro comercial. Estudos estão sendo feitos e, tudo indica, ela será transferida para as margens da confluência das duas BRs que cortam o Município, a 232 com a 104. O prefeito José Queiroz promete realizar a troca até o fim da sua gestão", anuncia Paulo Sérgio da Silva, diretor de Feiras e Mercados de Caruaru.

Com a nova área, a feira será realizada durante mais tempo. Há a possibilidade de que possa acontecer, caso haja demanda, todos os dias da semana. Essa, aliás, é uma antiga reivindicação dos "sulanqueiros´. "Se tudo que está sendo prometido acontecer, vai ser muito interessante", afirma Djalma Silva dos Santos, que há 12 anos trabalha na feira. "Atualmente, nós só temos um dia na semana para comercializarmos os nossos produtos. Se a venda não for satisfatória, o jeito é esperar mais sete dias. Se acontecer diariamente, o problema acaba", argumenta o pequeno comerciante.

Expectativa

Dentre os feirantes e os consumidores, a notícia gera expectativa. "Espero que a transferência seja benéfica, que tenhamos mais espaço e tempo para trabalhar", diz Cristiane Alves, que herdou uma barraca do pai.

Para Euládio Pires Sobrinho, que mora em Maceió (AL) e toda semana se desloca a Caruaru para aquisição de roupas para revender, o ideal é que não houvesse a transferência. "A gente vem para a Sulanca e leva outros tipos de mercadoria. Com a mudança, creio que isso não será mais possível".
Quero receber conteúdos exclusivos sobre as regiões do Ceará