Campanhas solidárias se multiplicam no interior durante pandemia

Cidades como Iguatu, no Centro-Sul, e Juazeiro do Norte, no Cariri, são exemplos de locais com trabalhos voluntários desenvolvidos para ajudar a minimizar os impactos da Covid-19 em famílias mais vulneráveis

Legenda: Entrega de quentinhas a famílias em situação de vulnerabilidade na cidade de Iguatu
Foto: FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Diante da pandemia do novo coronavírus, crescem iniciativas solidárias para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social. No interior cearense, dezenas de projetos promovem a distribuição diária de alimentos, itens de higiene e equipamentos de produção individual (EPIs) para a população mais necessitada.

Na cidade de Iguatu, na região Centro-Sul cearense, a Casa de Acolhimento Padre José Marques, dirigida pela paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, é um exemplo de atividade voluntária. Mesmo antes da pandemia, atendia cerca de 50 moradores dos bairros Vila Neuma e Vila Moura, servindo sopa e suco no fim da tarde.

Hoje, são mais de 200 pessoas que buscam alimentos diariamente. "Passamos a fornecer 80, depois 130 e o número foi crescendo a cada semana", pontou o pároco João Batista Moreira. "Há uma tendência de crescimento, infelizmente, do número de comensais por causa da crise instalada atualmente".

As contribuições de moradores e de fiéis que frequentam a paróquia garantem o fornecimento da alimentação, mas há dificuldades. "As igrejas estão fechadas, houve drástica redução nas receitas de dízimos e de doações", revela o sacerdote.

O autônomo Francisco Cordeiro é uma das pessoas beneficiadas com quentinha. "É a minha salvação, levo para casa para comer com a mulher", contou, satisfeito. "Estou desempregado desde abril". Rosalva Freitas é outra moradora que necessita da marmita para o jantar. "Meu marido foi embora, me deixou com dois filhos menores e não tenho trabalho e renda", disse. "Sem essa quentinha, a gente ia dormir com fome".

Voluntária na Casa de Acolhimento, a aposentada do serviço público estadual, Ioneide Araújo, disse que o trabalho dá um misto de alegria e preocupação mediante a necessidade de tanta gente. "É sentimento contraditório, mas prevalece a vontade de ajudar, partilhar", afirma.

Cariri

Em Juazeiro do Norte, o Albergue Santa Bernadete, mantido pela Comunidade Católica Shalom, está arrecadando, através de 'lives' com artistas, alimentos, itens de higiene e máscaras para pessoas em situação de rua. Antes da pandemia, o local recebia até 20 pessoas, mas planeja ampliar para 30 vagas. Lá, há acolhida para dormir, alimentação, grupos terapêuticos, palestras e atividades socioeducativas.

Segundo a coordenadora do espaço, Graciele Silva, o trabalho desenvolvido há 10 anos, mesmo diante da pandemia, segue buscando ajudar mais pessoas com a ampliação da unidade. "Nós vamos precisar de mais camas, colchões, utensílios de cozinha", explica Graciele.

Atualmente, as pessoas em situação de rua estão sendo acolhidas no Centro Multiuso Administrativo do Cariri, ao lado do Vapt-Vupt. Segundo a diretora de Proteção Social Especial, Raquel Pinheiro, são assistidos 35 moradores com roupas, quatro refeições diárias, medicamentos e itens de higiene pessoal. "Tudo entregue com material descartável para evitar contaminação", conta. O Centro Pop segue em funcionamento em horário reduzido, das 8h às 14h, ofertando banho, alimentação e atendimentos de profissionais.

Máscaras

Outro trabalho social desenvolvido na terra do Padre Cícero surgiu inicialmente em dois terreiros de religiões de matriz africana: a fabricação de máscaras de tecido. Hoje, mais de dez terreiros estão envolvidos na produção e distribuição deste item para as populações em vulnerabilidade social, incluindo pessoas em situação de rua. Parte do material foi entregue nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). Ao todo, mais de 4 mil máscaras já foram confeccionadas.

Com apoio do Núcleo de Educação para a promoção da Igualdade Racial (Nepir), os tecidos têm sido arrecadados através do Executivo municipal e de moradores da cidade. Segundo a assistente social Herlania Batista Galdino, a distribuição dos objetos também acontece em bairros de maior concentração de pessoas em vulnerabilidade, como Frei Damião, João Cabral e Triângulo, além de mercados públicos da cidade. "Tem sido gratificante participar dessas doações. A iniciativa é uma continuidade ao diálogo inter-religioso que vem sendo promovido", definiu.


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