Proposta de reajuste de policiais gera debate na Assembleia e manifestação de agentes de segurança

Policiais e familiares ocuparam avenida em frente à Assembleia Legislativa em ato para pressionar deputados a reajustar salário da categoria

Legenda: Policiais e familiares ocuparam a Avenida Desembargador Moreira, durante o protesto
Foto: Camila Lima

Um grupo de policiais e familiares realizam uma manifestação na Assembleia Legislativa e do lado de fora da Casa reivindicando aumento salarial da categoria. A proposta de reestruturação da carreira dos profissionais da segurança será enviada nesta quinta-feira (6) pelo Governo do Estado à Assembleia.

No Plenário da Assembleia, deputados que defendem os profissionais da segurança e a base governista iniciaram o debate em torno do assunto. Do lado de fora, os manifestantes ocupam os dois sentidos da Avenida Desembargador Moreira em frente à casa legislativa.

A proposta do Governo do Estado é aumentar o salário dos soldados em 4,8% de forma fracionada até 2021. Os agentes da segurança reivindicam aumento de 35%.

Na tribuna, o assunto foi levantado pelo deputado oposicionista Delegado Cavalcante (PSL). Ele cobrou valorização dos policiais, enquanto era aplaudido por manifestantes nas galerias. “Sentem na mesa vocês que estão no Governo. Sentem na mesa e vejam a realidade", cobrou Cavalcante.

Em seguida, Osmar Baquit (PDT), da base governista, fez a defesa da proposta apresentada pelo governador Camilo Santana (PT), destacando o aporte orçamentário de R$ 440 milhões previsto com o plano de reestruturação até 2022. O pedetista foi interrompido algumas vezes durante o pronunciamento, por vaias e palavras de manifestantes. “Eu não estou aqui para convencer ninguém que está aí (nas galerias). Estou aqui para falar a verdade”, afirmou.

Os deputados Dra. Silvana (PL) e Evandro Leitão (PDT) fizeram intervenções para tentar acalmar os ânimos em plenário.  “Temos que fazer uma discussão sem viés político”, defendeu Evandro Leitão. “Sem manipulação política, porque isso é o que nós estamos vendo. Os números dizem tudo, porque a sociedade vê. Mas nós não podemos aceitar que nós estejamos sendo manipulados”.

“Essa definição não foi tomada ainda, ela não foi tomada. Ninguém aqui está contra a corporação”, complementou Silvana, sustentando que é preciso mostrar que a divisão não está agradando e fazer uma redistribuição dos percentuais de reajustes.

Salário e reajuste fracionado

No início desta semana, o Governo Camilo Santana divulgou um plano de reestruturação da carreira de profissionais da Segurança Pública. O reajuste salarial previsto, a ser votado pela Assembleia Legislativa, será concedido em quatro etapas até 2022. A proposta do Executivo foi contestada por algumas associações de soldados e praças.

De acordo com tabelas salariais divulgadas pela equipe econômica do Governo, a remuneração de um soldado no Estado, por exemplo, vai ter um aumento de 4,8% por parcela.  Atualmente, a remuneração de um soldado é de R$ 3.475,74 e, com a reestruturação, passará a ter um salário de R$ 4.206,23, em 2022. Isso sem contar o pagamento de gratificações e horas extras. Até chegar a esse valor, a remuneração vai subindo progressivamente. O reajuste para as demais patentes segue a mesma lógica de escalonamento em quatro etapas.

O Governo argumenta que as alterações salariais irão gerar um impacto de aproximadamente R$ 440 milhões no Orçamento do Estado e que os profissionais recebem gratificações que aumentam o valor da remuneração.

Na última terça-feira (4), 30 deputados estaduais se reuniram com o governador Camilo Santana (PT) no Palácio da Abolição para ouvir uma explicação sobre os reajustes. Após a reunião, eles consideraram os valores "justos".

No entanto, o plano de reestruturação ainda não convenceu as entidades, que convocaram um protesto para esta quinta-feira (6), na Assembleia. A Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Aspramece) reivindica um reajuste de, pelo menos, 35% no salário-base dos soldados.


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