Operação "Marquetagem" teve como base delação de executivos; senador nega ter sido alvo

Investigadores buscam provas em investigação de suposta propina por meio de doações eleitorais entre 2010 e 2014

Legenda: Agentes federais foram às ruas cumprir 17 mandados de busca e apreensão em Fortaleza, Salvador e São Paulo
Foto: Divulgação

A Operação “Marquetagem” da Polícia Federal (PF) que cumpriu 17 mandados de busca e apreensão na manhã desta sexta (16) em Fortaleza, Salvador e São Paulo é um desdobramento de investigações iniciadas a partir da delação premiada de executivos do Grupo J & F, ocorrida em 2017, confirmou a assessoria de comunicação da Polícia Federal no Ceará, embora não tenha dado detalhes sobre os alvos de busca na operação em razão de determinação judicial. 

Ainda pela manhã, a Polícia Federal anunciou que não faria coletiva à imprensa sobre a operação. 

Os delatores do grupo empresarial apontaram, há três anos, um suposto repasse de propina por meio de doações eleitorais a candidatos ligados ao grupo político de Cid Gomes, em 2014, quando era governador. A ação ocorre no âmbito da Operação Lava Jato Eleitoral e, portanto, corre na Justiça Eleitoral. 

Os agentes buscam provas de supostas condutas ilícitas envolvendo a concessão de benefícios públicos a empresas privadas no Ceará. Contra os investigados há suspeitas de crimes como falsidade ideológica eleitoral, corrupção e lavagem de dinheiro. 

Em relação à operação desta sexta, a assessoria do senador Cid Gomes (PDT) informou que nenhum mandado foi cumprido em endereços ligados ao parlamentar. “Ele não foi alvo de busca e apreensão”, diz a nota, que não comenta a delação ocorrida há três anos.  

Em maio de 2017, em entrevista coletiva, o senador Cid Gomes negou ter conversado com os delatores sobre as suas campanhas. "Quero veementemente registrar a minha indignação por essas denúncias e quero dizer que não me resta nenhum outro caminho, que não seja processar o delator por calúnia", apontou. 

Ação

De acordo com a Polícia Federal, os supostos pagamentos irregulares, totalizando R$ 25 milhões, teriam ocorrido por meio da prestação de serviços publicitários que não existiram, além de doações oficiais para campanhas eleitorais nos anos de 2010 e 2014. A delação também veio à tona em 2018 em meio à corrida presidencial.  

Ainda conforme as investigações, as acusações foram deflagradas pelo empresário e ex-presidente da JBS, Wesley Batista.  

Tais denúncias foram a base para a operação desta sexta na Capital, confirmou a Polícia Federal. Contudo, por determinação da Justiça, os alvos das buscas e apreensões não foram divulgados.  

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