Operação do MP em Pacujá localiza lista com nome de eleitores, dinheiro e vales-combustível

A investigação do Ministério Público mira em suposto esquema de "mensalão" envolvendo agentes dos poderes Executivo e Legislativo

Sacolas com material apreendido durante Operação Mensalinho
Legenda: Operação Mensalinho cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de oito vereadores, um advogado e três postos de combustíveis

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Mensalinho, que investiga esquemas de propina paga pelo Poder Executivo para vereadores da Câmara Municipal de Pacujá, foram encontrados cadernos com listas de nomes de eleitores, dinheiro em espécie e vales-combustível. De acordo com o promotor de Justiça da cidade, Handerson Miranda Gomes, além da corrupção, crimes eleitorais serão investigados a partir das provas. 

A operação foi deflagrada pelo Ministério Público do Ceará nesta terça-feira (27), diante de denúncia da Promotoria de Justiça relatando a possível prática de um esquema de compra de apoio parlamentar. O caso veio à tona após o compartilhamento de áudios, em redes sociais, que revelavam a existência de suposto esquema ilegal entre os poderes Executivo e Legislativo. 

Dos nove vereadores da cidade, oito estão sendo investigados pelo recebimento de R$ 2 mil reais mensais em troca de aprovação de projetos do Executivo. Também eram distribuídos cargos para familiares dos políticos e vales-combustíveis, como forma de comprar votos nas decisões da Câmara, segundo o Ministério Público.

O "mensalinho" em forma de combustível possibilitava os vereadores o transporte de pessoas, para tratamentos médicos ou para qualquer outra atividade, cuja finalidade era angariar apoios eleitorais, utilizando-se possivelmente até de carros pertencentes ao executivo, conforme o MP. 

Foram apreendidos, na casa de vereadores, celulares, tablets, notebooks, computadores, mais de 10 mil reais em dinheiro e anotações que continham nomes de eleitores. Segundo o promotor de Justiça, que também atua como promotor eleitoral, ao lado de cada nome havia escrita uma quantia em dinheiro ou um benefício, como materiais de construção.

“Isso pode gerar crime de corrupção eleitoral, pode gerar uma representação por captação ilícita de sufrágio, ou abuso de poder econômico e pode ter repercussão na esfera eleitoral”, diz Handerson Miranda Gomes.

As provas envolvendo o trabalho dos vereadores investigados obtidas serão analisadas pela Promotoria de Justiça de Pacujá. Já a investigação das ações que dizem respeito ao prefeito e o vice-prefeito será conduzida pela Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (Procap). 

Repercussões nas eleições

Apesar de serem alvos da operação, Handerson explica que os vereadores que tentam reeleição continuam concorrendo. São eles o atual presidente da Câmara Municipal, Fernando Alves de Brito (PDT), o vice Francisco Antonio de Oliveira Junior (PDT), a 1ª secretária Lincélica Maria Ribeiro Magalhães (PDT), o 2º secretário Washington Luís Alcântara Lima (PDT) e Braz Rodrigues Alves de Brito (PDT). 

Carlos Marques Araújo (PP) e Francisco Ilderlan Aureliano Pereira (PCdoB) também são suspeitos, mas não tentam reeleição este ano. Já o vereador Luciray Jefferson Rodrigues de Sousa (PDT), também investigado, não se candidatou para o pleito deste ano. 

Ao ser procurada, a  assessoria jurídica da Câmara Municipal de Pacujá disse que se manifestará após ter acesso aos autos do processo.

O Diário do Nordeste tentou contato, desde a manhã, com a Prefeitura de Pacujá, mas as ligações não foram atendidas.

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