Evandro Leitão projeta intenso troca-troca de partidos entre deputados e redução de legendas em 2022

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o presidente da Assembleia Legislativa falou sobre medidas restritivas adotadas na Casa em meio ao agravamento da pandemia e expectativas quanto à liberação de emendas parlamentares

Legenda: Em entrevista ao Diário do Nordeste, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Evandro Leitão (PDT), avaliou cenário da pandemia e eleições de 2022
Foto: Isanelle Nascimento

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Evandro Leitão (PDT), projeta um intenso troca-troca de partidos entre os parlamentares no ano que vem, de olho nas eleições gerais de 2022, e a extinção de legendas no Ceará. Para ele, o fim das coligações proporcionais (união de vários partidos para disputar vagas no Legislativo) desafiará as siglas na formação das chapas.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, o chefe do Legislativo Estadual também disse que avalia, semanalmente, o cenário da pandemia de Covid-19 no Ceará e ponderou que poderá endurecer medidas de circulação na Casa e tornar as sessões apenas remotas. Atualmente, as sessões são híbridas (com participação presencial e virtual). Evandro falou ainda sobre a expectativa de realizar o concurso público da Assembleia neste ano. 

> Presidente da Câmara de Fortaleza, Antônio Henrique defende urgência na Reforma da Previdência

Veja a entrevista na íntegra:

O senhor restringiu o acesso à Assembleia (por conta do aumento dos casos de Covid-19). Como está avaliando essas medidas?

Essas medidas, sobretudo, são de restrição mesmo. Nós iremos fazer essa avaliação semanalmente para que a Mesa Diretora possa estar tomando essas decisões de maneira muito responsável e sempre na perspectiva de a gente estar protegendo nossos servidores, colaboradores, parlamentares e as pessoas que estão sempre lá na Assembleia.

O senhor cogita tornar as sessões apenas remotas?

Não descarto a possibilidade, depende muito do andamento da pandemia. Se continuar evoluindo o processo de contaminação, é uma tendência natural que haverá um fechamento.

A Assembleia já aprovou sete decretos de calamidade pública por causa da pandemia. Chegaram novos decretos de outros municípios?

Estão chegando. Tive notícia que três municipios enviaram seus decretos de calamidade e tem mais alguns outros que estariam enviando os seus processos para que sejam aprovados na próxima quinta (25).

Evandro Leitão
Legenda: O presidente da Assembleia não descarta a realização de sessões totalmente remotas, caso a pandemia se agrave
Foto: Helene Santos

No ano passado, o ex-presidente José Sarto (PDT) fez uma articulação com os deputados para destinarem emendas parlamentares ao combate à pandemia. O senhor dialoga com os deputados para fazer o mesmo com as emendas neste ano?

O governador conversou conosco e disse que no mês de março estaria avaliando para que pudessem ser liberadas as emendas parlamentares (de 2021), mas tudo ainda está indefinido.

Está difícil fazer previsão de qualquer coisa no atual contexto que passamos. Nesse primeiro momento, eu diria que a tendência é que no mês de março o Governo do Estado possa fazer a liberação das emendas.

Como avalia o projeto enviado pelo Governo do Estado para tornar a transferência dos recursos das emendas parlamentares direta aos municípios, de fundo para fundo?

Evolução. O maior problema existente para que esses recursos de emendas não cheguem na ponta são alguns procedimentos internos que terminam fazendo com que os mesmos não possam chegar nos municipios. E o principal: a inadimplência dos municipios. Essa Mensagem do (recurso) fundo a fundo vai dar celeridade e fazer com que o processo seja invertido, ou seja, as emendas possam chegar aos municipios e, após a execução da obra ou do serviço, os municipios possam estar prestando contas. 

O pleito inicial dos deputados era para tornar as emendas impositivas, ou seja, obrigatórias de pagar. Não há possibilidade para isto?

A questão de uma possível PEC (Proposta de Emenda à Constituição) de emendas impositivas é uma questão que está sendo tratada internamente na Casa. Há pelo menos cinco anos essa discussão está sendo feita. Iremos continuar discutindo para que a gente chegue a um denominador comum.

Quais as perspectivas para a realização do concurso público da Assembleia? 

Hoje fica difícil falar de concurso público no atual contexto, onde temos que evitar aglomerações, porém, temos a nossa expectativa de que aconteça no início do segundo semestre. Se Deus quiser, com a vacina, que a gente possa ter a condição de fazer esse concurso esse ano. 

Posse da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa
Legenda: Evandro Leitão foi empossado presidente da Mesa Diretora da Assembleia no início deste ano legislativo
Foto: Helene Santos

Após a eleição de 2020, deputados demonstraram preocupação com a formação das chapas em 2022, por causa do fim das coligações (proporcionais). Na sua visão, qual será o maior desafio nas próximas eleições?

O maior desafio é fazer com que os partidos possam estar se fortalecendo em suas bases. Aqueles partidos que, por ventura, não tenham feito o dever de casa, no sentido de atrair lideranças, correligionários, para que possam fazer parte de suas agremiações, esses irão sofrer bem mais. Vejamos: no meu, PDT, temos hoje 13 deputados estaduais. Além desses, a maioria (dos parlamentares), por que não dizer todos, irão para uma reeleição.

Além desses, teremos outros candidatos. Esse conjunto de pessoas termina fazendo com que tenha número expressivo de candidaturas que terão êxito. Isso faz com que tenhamos, ao final, bom número de candidatos que serão eleitos ou reeleitos.

Vai ter muito troca-troca de partidos entre os deputados no ano que vem?

Sem sombra de dúvida vai ter troca-troca e, ao final, imagino que teremos redução de número de partidos no nosso Estado. Tenho convicção de que a grande maioria dos nossos deputados (do PDT) continuarão. Vejo o PDT numa situação boa, no cenário atual, e imagino que devemos estar fazende entre 12 e 14 deputados estaduais, a preço de hoje. 

Vai disputar a reeleição?

É uma tendencia. 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre política