Embate de Camilo e Wagner sobre motim esquenta clima eleitoral

Governador confrontou declaração do candidato do Pros, que negou, em entrevista ao programa Ponto Poder Eleições, participação no motim dos policiais militares. Wagner rebateu, amenizando críticas. Campanha sobe o tom

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Legenda: Motim de grupos de policiais militares, entre fevereiro e março deste ano, motivou acirramento de ânimos
Foto: Fabiane de Paula

A manhã de ontem (14) marcou, de vez, a elevação da temperatura na política cearense para as eleições municipais de 2020. O estopim foi a declaração do candidato à Prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner (Pros), em entrevista ao programa Ponto Poder Eleições, do Sistema Verdes Mares, na noite da última terça-feira (13), quando negou ter sido favorável ao motim promovido por grupos de PMs. Em resposta, o governador Camilo Santana (PT) usou as redes sociais para rebater a afirmação. A manifestação sinaliza a mais forte declaração do chefe do Executivo estadual na corrida ao Paço Municipal.

Durante a sabatina, o candidato do Pros foi questionado sobre o episódio ocorrido entre o fim de fevereiro e o início de março deste ano, ao longo de 13 dias. Ponderou que houve “radicalismo” de ambos os lados durante o impasse entre a categoria e o Governo do Estado. “Em nenhum momento me posicionei a favor de qualquer paralisação. Tenho muita responsabilidade com essa questão e, inclusive, fui desgastado nas redes sociais”, afirmou.

Horas depois, na manhã de ontem, Camilo retrucou: “não é verdade (que ele não apoiou). Tanto liderou o motim de 2011 como teve participação direta nesse último motim”, disse. Ele apontou que aliados do candidato estiveram na linha de frente da paralisação à época.

Nove anos depois

Wagner ganhou projeção política durante a paralisação dos policiais militares do Ceará, iniciada em 29 de dezembro de 2011, ainda durante o governo Cid Gomes (PDT). No ano seguinte, o capitão foi eleito vereador com o maior número de votos entre os postulantes ao cargo.

Neste ano, durante novo motim dos agentes, o agora deputado federal participou inicialmente da mesa de negociações da categoria com o Governo do Estado. As propostas aceitas pelos representantes da categoria foram, posteriormente, recusadas pela maior parte da tropa. 

“Os valores apresentados pelo Governo não eram os que a categoria queria, mas fui para que o acordo acontecesse. Não temos como impedir que isso (paralisação) aconteça e, infelizmente, aconteceu”, declarou Wagner durante a sabatina. 

Camilo Santana ainda acusou o adversário de defender a anistia dos envolvidos no motim. “Foi um dos atos mais covardes já praticados contra a população”, reforçou. 

“Mandado”

A réplica de Wagner veio em seguida, em tom mais ameno. “Essa pancada não é o estilo dele. Se isso está acontecendo é porque alguém está mandando. Se eu conheço o governador, ele não é desse tipo de embate desleal e mentiroso”, disse, antes de afirmar que irá focar a campanha nos problemas da Capital cearense. 

Apesar de amenizar o tom, Wagner foi alvo de uma verdadeira artilharia de aliados do governador, apoiadores de Sarto (PDT). O prefeito Roberto Cláudio (PDT) reforçou as palavras do petista e apontou o adversário como “comandante do motim”. 

Ainda no mesmo partido, o chefe do Executivo municipal não foi o único. o próprio candiodato a prefeito, Sarto Nogueira (PDT), e o seu candidato a vice, Élcio Batista (PSB), entraram na polêmica. “É hora da verdade, de apresentar trajetórias e assumir responsabilidades”, disse Sarto, republicando as palavras do governador cearense. 

Parceiros políticos

Coordenada ou não, a ofensiva do grupo governista colocou mais uma vez lado a lado Camilo Santana e integrantes do PDT. Enquanto a imagem do governador é usada pela ex-prefeita e candidata Luizianne Lins (PT), sua correligionária, o petista tem demonstrado, nos discursos, mais proximidade com Roberto Cláudio e Sarto Nogueira do que propriamente com a candidata do seu partido. 

Em setembro deste ano, ao ser questionado sobre peças de campanha da ex-prefeita, o governador ressaltou a “parceria administrativa e política” com o PDT no Ceará. Na semana passada, em novo aceno a Sarto, Camilo disse que o pedetista é “grande parceiro de todas as horas”. O tom tende a seguir elevado.

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