Decisão do PSDB sobre prévias impõe derrota a João Dória e fortalece tese de Tasso Jereissati

No partido, a avaliação é a de que Tasso é favorito para ser candidato a presidente e tem maioria, mas precisa decidir se vai mesmo concorrer

Dória e Tasso se cumprimentam
Legenda: Dória e Tasso estão entre os concorrentes na disputa interna dos tucanos
Foto: Divulgação

A decisão da executiva nacional do PSDB de definir o modelo das prévias que o partido realizará para a escolha do seu candidato à Presidência em 2022 foi considera, nos bastidores, como uma derrota do governador de São Paulo, João Dória e um fortalecimento ao senador cearense Tasso Jereissati. Os dois são nomes colocados no debate público como pré-candidatos do Partido no próximo ano. 

De acordo com a regra aprovada por maioria, a eleição será indireta, com 25% de peso para filiados e 75% para os detentores de mantado eletivo. 

O governador paulista defendia que a proporção fosse de 50% para filiados e 50% para mandatários. Seus aliados sugeriram, como meio termo, 35% a 65%, proposta que perdeu na votação.

“A comissão fez um belo trabalho, pensado, estudado, e teremos um critério justo. Como as primeiras prévias do PSDB, vamos ter alguns erros e muitos acertos, mas vai servir de parâmetro para as prévias daqui para frente”
Tasso Jereissati (PSDB)
Senador

Ao jornal Folha de S.Paulo, Dória confirmou, nesta terça-feira (15), que quer ser o candidato do partido à Presidência da República. "Vamos disputar as prévias, respeitando todos os candidatos. Mas vamos trabalhar para vencer. E somar forças com todos para fortalecer a candidatura do PSDB. E ajudar o Brasil", disse o tucano.

Impasse

As regras das prévias presidenciais deveriam ter sido resolvidas na última terça (8), mas, diante de impasse entre propostas apresentadas, tucanos votaram por adiar a decisão em uma semana. Nesse período, a ideia era que Doria e seus adversários internos –Tasso Jereissati (CE), Eduardo Leite (RS) e Arthur Vírgilio (AM) – chegassem a um consenso.

No partido, a avaliação é a de que Tasso é favorito e tem maioria, mas precisa decidir se vai mesmo concorrer. Caso não confirme, a disputa fica aberta entre Dória e Leite.

Na última terça, a cúpula do PSDB aprovou por unanimidade somente a votação indireta com pesos entre filiados e mandatários, mas sem estabelecer os percentuais, o que abriu uma brecha para que Dória tentasse emplacar sua tese.

Apesar de terem mantido conversas ao longo da semana, os quatro tucanos chegaram à reunião sem convergência. Dória sinalizou que aceitaria qualquer regra, num ato de boa vontade que seria recompensado com um aumento da participação dos filiados.

Dória

​Aliados de Dória pressionavam por maior peso dos filiados porque São Paulo concentra a maior fatia deles – cerca de 22% de 1,36 milhão, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).​ O número de filiados regulares e identificáveis, no entanto, é bem menor, algo em torno de 658 mil, segundo as primeiras apurações do PSDB.

Os paulistas chegaram a propor, na reunião, que o peso dos filiados subisse para 35%, mas encontraram oposição de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Na reunião, Tasso e Leite defenderam a manutenção dos 25%, conforme foi desenhado por uma comissão tucana liderada pelo ex-senador José Aníbal (SP).

Segundo Marco Vinholi, presidente do PSDB paulista e secretário do governo Dória, a ideia de propor 35%, e não 50%, foi feita na tentativa de obter unidade, mantendo a maior participação dos filiados.

"O aumento de filiados foi colocado para alcançar o modelo mais democrático possível. Mas, em termos de condição para vitória de Dória, temos um percentual similar em ambos critérios", afirma.

São Paulo, de fato, sai na frente em qualquer cenário, por concentrar não só os filiados, mas prefeitos, vereadores e deputados. Vinholi afirma ainda que Dória aceitará as regras e buscará diálogo com todos os tucanos na tentativa de viabilizar sua candidatura presidencial.

Prévias

A comissão estabeleceu, no dia 31 de maio, a votação indireta em quatro grupos, com peso de 25% para cada. A proposta precisaria ser aprovada pela executiva nacional, o que ocorreu nesta terça.

Apesar da polêmica em torno da participação de filiados, a realidade é que uma pequena parcela será mobilizada com as prévias. Nas prévias estaduais de 2018, Dória teve 80% dos votos de cerca de 15 mil filiados -o total do estado na época era de aproximadamente 310 mil.​​​​

​Membros do PSDB ouvidos pela reportagem consideraram, de forma geral, que as regras definidas pela comissão eliminam favoritismos e dão chance para que qualquer um dos quatro vença a eleição interna.

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