Voz ativa para o autismo
De acordo com os dados do Censo Escolar 2023, divulgados neste ano, são 636 mil alunos com autismo no Brasil, mas essa estatística não para de crescer. Em apenas um ano, o número de matrículas de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) passou de 429 mil, em 2022, para 636 mil, em 2023, no país. Foi um aumento de 48%.
Quando falamos a nível mundial, o diagnóstico de autismo também aumenta de forma acelerada e impressionante. Um levantamento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, mostrou que, se nos anos 1970 o número de diagnósticos de TEA estava na faixa de 1 para cada 10 mil crianças, em 1995 já havia pulado para 1 em cada 1.000 e continuou crescendo aceleradamente, até chegar a 1 a cada 59 em 2018 e 1 a cada 36 em 2023.
Considero que o aumento dos casos se dá devido ao maior acesso a informações sobre o assunto, como também a maior conscientização de profissionais de saúde e educação quanto à existência dos transtornos do neurodesenvolvimento, que são caracterizados por dificuldades na comunicação e interação social, podendo envolver outras questões como comportamentos repetitivos, interesses restritos, problemas em lidar com estímulos sensoriais excessivos, dificuldade de aprendizagem e adoção de rotinas muito específicas.
Sou mãe de uma adolescente com TEA e ao longo dos últimos nove anos, buscamos dar mais voz ao assunto por meio da Associação Fortaleza Azul (FAZ), que vem fortalecendo os direitos dos autistas. Neste ano, entramos para o colegiado do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Fortaleza - COMDICA, onde teremos mais voz em prol da causa. Essa é a primeira vez que uma instituição voltada ao autismo participa deste colegiado, que é destinado a promover, assegurar e defender os direitos da criança e do adolescente, estabelecendo diretrizes e normas de proteção integral, propondo ações de políticas públicas municipais que visem o cumprimento ao art. 227 da Constituição Federal, ao apoio à criança e ao adolescente, concernente aos seus direitos fundamentais. Seguimos firmes com o propósito de lutar pelos direitos dos autistas!
Daniela Botelho é presidente da Associação Fortaleza Azul – FAZ e psicopedagoga