Sorte ou revés?

Os desfechos das consequências da crise causada pela pandemia da Covid-19 remetem à reflexão: é possível afirmar que alguém estivesse preparado para o que vem acontecendo? É provável que muitos tomadores de decisões nas organizações tenham sido "convidados" a rever suas projeções para 2020 logo ao fim do primeiro trimestre. Ouso dizer que, em sua grande maioria, tenham falhado nesses ajustes.

Os problemas vão desde a escassez de matéria-prima no mercado siderúrgico, por exemplo, até a maior aceitação a aplicações de risco, em meio às oscilações bruscas dos investimentos bancários.

Alguns ainda dizem: "Meu negócio já estava preparado!", inclusive para a cultura do trabalho a distância". Nem sempre, porém, isso é verdade.

Esse caso seria preparação ou sorte? Afinal, será possível que um modelo de negócio estivesse previamente adequado para enfrentar o caos? Estaríamos, na verdade, passando pelo campo "Sorte ou Revés" no tabuleiro do jogo "Banco Imobiliário"? Em que medida o resultado descrito nas cartas dita o sucesso ou fracasso de cada jogador? Correndo o risco de ser clichê, estou convicto de que existem, sim, os que fazem a própria sorte.

Já li que as maiores epidemias do mundo contemporâneo são a depressão e a ansiedade. São pessoas que vivem muito no passado e/ou no futuro.

Fica muito claro, para mim, que tais comportamentos transferem-se às empresas, pois elas são feitas de gente.

Preso a projeções, análises de histórico, passado contra futuro, em um loop infinito para tentar prever um horizonte repleto de neblina, ninguém consegue enxergar poucos metros à frente. No fim, vejo que quem se manteve no presente, sem impor ou se amarrar a qualquer verdade absoluta, está se saindo bem. E não é que o futuro sempre esteve, mesmo, em suas próprias mãos?

Willian Kahler

Assessor financeiro


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