Reserva de emergência

Você já ouviu o ditado "não adianta trancar a porta depois de o ladrão entrar", o mesmo vale para as empresas. Não vale se lamentar quando uma crise afetar os negócios, pois mudanças sempre virão e as maiores se anunciam com momentos de tensão do mercado. Se você acredita na força das mudanças, talvez pense que quando ela chegar você será um dos mais adaptáveis. Contudo, sugiro deixar a confiança de quem já enfrentou diversos desafios de lado e adotar medidas preventivas como constituir um fundo de reserva emergencial.

Segundo pesquisa (03/2020) da Confederação Nacional dos Lojistas e SPC, menos da metade dos brasileiros tem o hábito de poupar. Acostumado com crises, o empreendedor brasileiro sabe que em tempos turbulentos os recursos ficam escassos, o dinheiro some, as taxas de juros e câmbio galopam da noite para o dia, clientes desaparecem e fornecedores atrasam. Um fundo de reserva permite lidar com esses desafios e até encontrar oportunidades, valendo-se desta liquidez. Ele será importante para renegociar dívidas, prazos e tratar protestos e negativações. Enfim, tomar decisões difíceis em tempos de crise é sempre mais arriscado do que ter preparação para não sentir como se tivessem puxado seu tapete.

A contabilidade prevê a reserva de capital e de lucro, mas não é disso que estamos falando. Trata-se de uma reserva estratégica para enfrentar as desventuras do empreendedorismo e os riscos de mudanças nos negócios. Normalmente se começa garantindo um horizonte curto de compromissos, seja uma semana de pagamentos, ou um mês de dívida bancária. Administre atentamente os prazos de vendas, os níveis de estoque e despenda tempo conquistando prazo com fornecedores, que naturalmente o seu capital de giro drenará precioso caixa para a firma. O importante é iniciar com uma meta factível e aumentá-la até chegar a padrões de mercado.

Cláudio Lustosa

Gerente financeiro


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