Por que o varejo médio está sumindo?

Escrito por Mateus Magno ,
Mateus Magno é CEO da Sambatech e Samba Digital
Legenda: Mateus Magno é CEO da Sambatech e Samba Digital

Enquanto para a maior parte dos setores a vida voltou a ser como era antes da pandemia, o varejo vive um cenário totalmente diferente e muito desafiador. Com a explosão do comércio eletrônico e de marketplaces estrangeiros como a Shein, Shopee e Mercado Livre, as lojas físicas – e nacionais - foram perdendo popularidade entre os consumidores e agora lutam para sobreviver.

Vimos no último ano diversas notícias sobre gigantes do varejo acumulando dívidas gigantescas, como a Americanas, Tok&Stok, Casas Bahia, Polishop, Saraiva, Marisa, Centauro, Puket e New Balance, que sempre dominaram seus mercados de atuação e atualmente tentam se reestruturar e equilibrar as finanças. De acordo com dados divulgados pelo Bank of America (Bofa), apenas em agosto do ano passado foi registrado o fechamento de 127 lojas em shoppings, principalmente dessas marcas famosas que estão tentando se reerguer.

E essa situação é ainda mais preocupante para o varejo médio, que depende da confiança e capital dos investidores para manter suas atividades. Porém, de 2020 para cá, essa relação passou a ficar abalada e os comerciantes começaram a encontrar formas de se manter relevantes para o seu público. Como resultado disso, os shoppings também passaram a olhar para outros segmentos e modelos de negócio na tentativa de ocupar os espaços deixados pelos grandes varejistas e atender aos novos desejos dos consumidores.

Mas vale destacar que, por mais difícil que seja esse cenário de crise, existe uma luz no fim do túnel. Há também acontecimentos positivos e que apontam para uma recuperação do setor – ainda que lenta. Segundo a pesquisa IPC Maps, publicada pela IPC Marketing Editora, o segmento cresceu 3,2% em 2023 com relação a 2019, saindo de R$424 bilhões para R$437,8 bilhões.

Além disso, as experiências negativas dos últimos anos transmitiram lições valiosas para os lojistas, que já estão se movimentando para que 2024 seja diferente e com resultados positivos para o varejo. Uma das ações que temos observado é a fusão de marcas com o objetivo de aumentar a competitividade, como ocorreu entre a Aliansce Sonae e BRMalls, que se uniram para formar a Allos.

Outro aprendizado importante foi o entendimento dos benefícios da hiperpersonalização. As companhias estão apostando cada vez mais nela e também utilizando tecnologias como IA e machine learning para entregar experiências personalizadas para os clientes, como apontam dados do estudo "State of AI in Retail and CPG", realizado pela NVIDIA, que mostram que 98% dos varejistas planejam investir em IA generativa nos próximos 18 meses.

Já a pesquisa recente da fabricante de tecnologia Honeywell também ressalta o crescente interesse do setor em adotar IA e outras ferramentas tecnológicas para aprimorar a experiência de compra digital e física e oferecer produtos e serviços relevantes.

Dados como esses mostram que o segmento está de fato empenhado em superar a crise e crescer, mas sem deixar de lado aquilo que o diferencia: o cuidado com o consumidor e o desejo de entregar vivências realmente positivas. Enquanto esse for o fio condutor para o desenvolvimento do mercado, acredito que podemos enfrentar qualquer adversidade.

Mateus Magno é CEO da Sambatech

Flávia Marçal é advogada, doutora em Ciências Sociais e professora da UFRA |  Lucelmo Lacerda é doutor em Educação
Flávia Marçal | Lucelmo Lacerda
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