Pela igualdade de gênero no mercado da Tecnologia

Algumas profissões ainda são associadas às mulheres, como professoras, enfermeiras, assistentes sociais. Na área da Tecnologia, a presença de mulheres, que já era baixa, diminuiu

Escrito por
Natalia Pasetti producaodiario@svm.com.br
Líder de Diversidade e Inclusão do Instituto Atlântico. Cientista Política formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Pós-graduanda em Gestão Estratégica ESG pelo Instituto Ethos
Legenda: Líder de Diversidade e Inclusão do Instituto Atlântico. Cientista Política formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Pós-graduanda em Gestão Estratégica ESG pelo Instituto Ethos

Apesar das lutas incessantes pela igualdade de gênero no mercado de trabalho, na prática, a desigualdade nessa área ainda é marcante. Elementos históricos evidenciam que as mulheres dispõem de  cargos menos valorizados, menores salários e menor participação no mercado de trabalho. Para piorar, os salários mais baixos são registrados mesmo quando ocupam posições equivalentes a dos homens dentro de uma empresa.

Algumas profissões ainda são associadas às mulheres, como professoras, enfermeiras, assistentes sociais. Na área da Tecnologia, a presença de mulheres, que já era baixa, diminuiu: a porcentagem das mulheres matriculadas apresentou queda de 34,8% para 15,5%, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC). 

No mercado das startups, de acordo com o Female Founders Report 2021, estudo elaborado pela empresa de inovação Distrito, em parceria com a Endeavor, somente 4,7% das startups brasileiras foram fundadas exclusivamente por mulheres e 90% das startups possuem somente homens nos quadros de fundação. A pesquisa também evidencia a baixa diversidade entre as mulheres líderes de startups: 76,5% são brancas e 87,5% se declaram heterossexuais. 

Para mudar essa realidade tão discrepante, é preciso trazer inclusão e diversidade para o dia a dia das empresas. O Instituto Atlântico, Instituição de Ciência e Tecnologia cearense sem fins lucrativos, por exemplo, instituiu uma comissão para desenvolver um ambiente de trabalho igualitário, de respeito e orgulho, voltado para promover equidade de gênero e também diversidade e inclusão de pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho.

A promoção da paridade salarial, a criação de programa de liderança feminina, lembrar das mães na hora de formular as políticas de benefícios, proporcionar flexibilidade de horário, tomar medidas contra o assédio, incluir a igualdade de gênero nos valores e, principalmente, ouvir os colaboradores são medidas que podem trazer a equidade de gênero de verdade para as organizações. É muito importante que as empresas despertem para esse tema.

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