Pandemia econômica

Nos 17 primeiros meses do Governo Bolsonaro, investidores estrangeiros saíram do Brasil com cerca de US$ 60 bilhões (mais de R$ 300 bilhões), indo para emergentes mais confiáveis, como o México. Isso não decorre da Covid-19, mas da atual política de desvalorização de nossa moeda (mais de 40%, só de julho de 2019 a maio de 2020). O lucro especulativo com o dólar cresceu na mesma proporção. Algo, no mínimo, suspeito.

O ministro da Economia não apresenta resultados condizentes com suas promessas. Tem uma péssima estratégia cambial, a pior política para o salário mínimo e coleciona recordes negativos: dívida pública, déficit da Previdência, fuga de capitais, queda das reservas cambiais e preço dos combustíveis. Também caímos do nono para o 12º lugar no ranking dos maiores PIBs. Devem-se considerar, ainda, os R$ 103 bilhões das privatizações de 2019 e os US$ 40 bilhões das reservas cambiais usados para cobrir rombos.

Ademais, reduziu-se à inflação à custa de recessão e não da valorização da moeda. Outro problema: embora a Selic esteja no nível ideal, não há queda do juro real para os tomadores de empréstimo e no cartão de crédito. Bom para os bancos, pois captam dinheiro a 3% ao ano e cobram até 322%, nível superior ao da agiotagem.

O mais grave foi a suspensão da correção real do salário mínimo. Como fundador de um grupo empresarial gerador de milhares de postos de trabalho, defendo seu reajuste expressivo, pois isso estimula o consumo, cria empregos, reduz o custo da produção pelo volume da demanda e aumenta a receita tributária. Todos ganhariam.

Independentemente da Covid-19, vivemos uma pandemia econômica, com uma política frustrante para a área. Seu impacto negativo no PIB acarretará a desconfiança do mercado e assustará ainda mais os investidores externos. Números e fatos não deverão ser ignorados em função de esdrúxulas desculpas.

Vilmar Ferreira

Empresário, é presidente do Grupo Aço Cearense


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