País Desrespeitado

Escrito por
Gonzaga Mota producaodiario@svm.com.br
Professor aposentado da UFC

A fábula a seguir diz respeito ao pequeno País “Braquistão”, localizado no hemisfério norte, banhado pelo oceano Dico, com uma área de 70.000km² e uma população de 4.000.000 de habitantes. Produz pescado, alguns produtos agrícolas e possui uma indústria artesanal. Ou seja, é um País subdesenvolvido. Todavia, alguns “braquistaneses” possuem uma formação técnico-científica bastante razoável, pois cursaram universidades na Europa, nos E.E.U.U e na nascente academia de “Braquistão”.

Esses poucos graduados e pós- graduados influenciaram o surgimento de um sistema democrático no País. Assim, conseguiram, com muito esforço, mediante um Conselho Constitucional, criação dos três Poderes: 1. Ações Administrativas; 2. Ações legislativas e 3. Ações Judiciárias. O povo aproveitou e passou a defender, com obstinação, a independência e harmonia dos mencionados Poderes. Havia uma expectativa eufórica de consolidação da Democracia, abrangendo justiça, liberdade e paz, bem como melhores condições de vida para a população conduzindo à cidadania.

No entanto, passou a existir em “Braquistão” uma grande desarticulação, envolvendo os três Poderes, causada pela ganância, pelo ódio, pela insegurança, pela corrupção, pela falta de liberdade, dentre outros fatores. Tal desarticulação era estimulada pelos aúlicos dos chefes dos três Poderes, pois se preocupavam em cumprir qualquer missão dada pelos poderosos. Qualquer entendimento era para o mal e não para o bem dos “braquistaneses”. Surgiu, então, uma disputa interna no sistema público.

O comandante das Ações Administrativas desconfiava das ambições de um supremo juiz e do responsável maior pelas Ações Legislativas. Por sua vez, o referido supremo juiz dominava tudo, até seus companheiros da Corte Judicante. Já o legislador maior não tinha atitude forte e coerente com suas funções. Dentro desse quadro, o desfecho foi terrível, inconcebível e não desejado por ninguém. Os respectivos aúlicos assassinaram o supremo juiz e o comandante administrativo. O legislador maior, observando a situação, fugiu para outro país do hemisfério norte. Os “braquistaneses” de bem criaram outro Conselho Constitucional para reconstruir democraticamente o “Braquistão”. Moral da fábula: Quem comete injustiças e maldades, será castigado pelos homens e por Deus.

Gonzaga Mota é professor aposentado da UFC

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