Educação: labirintos da conclusão

Escrito por
Davi Marreiro producaodiario@svm.com.br
Consultor pedagógico e professor
Legenda: Consultor pedagógico e professor
Na última semana, o portal Todos Pela Educação divulgou o estudo “Conclusão da Educação Básica: avanços e desigualdades da última década”. Os dados apresentados deixam claro que o Brasil avançou, mas avançou tropeçando.
 
E, embora o ministro Santana não seja Pessanha, a inquietação com o porvir que atravessa o poeta parece também rondar sua gestão: “avançamos com a alma tensa, carregando sonhos distantes e um medo persistente provocado pela estreita aresta do futuro.”
 
Crescemos o suficiente para movimentar indicadores, mas não o bastante para mudar a realidade! A pergunta incômoda segue presente, como uma rachadura estrutural: o aumento na taxa de conclusão significa, de fato, mais aprendizagem ou apenas um sistema mais eficiente em empurrar estudantes até o fim?
 
Exagero? Nem de perto. Quando colocamos lado a lado o que Saeb e Pisa medem, que é aprendizagem, e o que o Censo Escolar celebra, que é aprovação e conclusão, a incoerência aparece quase automaticamente. O Ensino Médio até forma mais estudantes hoje, mas os relatórios do Saeb revelam uma certificação contraditória, algo parecido com um mapa conquistado como guia e entregue como labirinto. A maioria termina o percurso sem dominar o básico. Em língua portuguesa, ainda existe algum respiro, com 32,4% atingindo o nível adequado em 2023. Em Matemática, porém, o chão abre de vez: só 5,2% chegaram aonde deveriam.
 
Como agravante, jovens pobres só terão as mesmas chances de conclusão que os mais ricos em 2048, um prazo quase cruel para quem precisa de mudança agora. A desigualdade racial repete o padrão: pretos, pardos e indígenas em 2025 ocupam o lugar que brancos e amarelos tinham em 2018. Meninas concluem mais, porém, sobrecarregadas; meninos concluem menos, pressionados pelo trabalho. Nas regiões mais vulneráveis, a distorção idade-série já entrega estudantes ao Ensino Médio exaustos. E mais de 200 mil jovens deixaram a escola para trabalhar. No fim, distribuímos diplomas que parecem bússolas impecáveis, mas não orientam trajetórias. E reduzir a avaliação do sistema ao simples vai-e-vem nos portões da escola é transformar “circulação” em política educacional.
 
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