Bullying e Cyberbullying: feridas que não se apagam com o tempo

É preciso entender que ambos os tipos de violência geram traumas profundos. A vítima se sente sozinha, envergonhada, impotente

Escrito por
Antonio Lourenço Neto producaodiario@svm.com.br
Professor Universitário
Legenda: Professor Universitário

Nos corredores das escolas, nas ruas e agora por trás das telas, o bullying persiste como uma sombra que persegue crianças e adolescentes. Com a ascensão das redes sociais e do mundo digital, o que antes se limitava ao ambiente físico ganhou novos contornos — mais silenciosos, mais cruéis e, muitas vezes, mais difíceis de detectar. Estamos falando do cyberbullying.

Enquanto o bullying tradicional se manifesta por agressões físicas ou verbais diretas, sob o viés da intencionalidade, o cyberbullying opera no silêncio da internet, onde a impunidade se disfarça de anonimato. Comentários maldosos, exposição de imagens sem consentimento, boatos e ameaças tornaram-se armas poderosas em um ambiente cuja vigilância é frágil e as consequências, devastadoras.

É preciso entender que ambos os tipos de violência geram traumas profundos. A vítima se sente sozinha, envergonhada, impotente. Estudos já associam o bullying à depressão, à ansiedade e, em casos extremos, ao suicídio. No ambiente virtual, essa dor é potencializada: a humilhação se torna pública e pode ser replicada, incontáveis vezes, impedindo que a vítima tenha um espaço seguro para se recuperar. Diante desse panorama, é necessário ampliar o debate acerca da saúde mental e fomento à cultura de paz nas escolas, incluindo todos os atores sociais envolvidos na dinâmica escolar.

Combater esse percalço exige ação conjunta. Famílias devem manter diálogo aberto com seus filhos, incentivando-os a relatar situações de abuso. As escolas precisam implementar políticas claras de prevenção e acolhimento, indo além de campanhas pontuais. E a sociedade como um todo precisa abandonar a conivência disfarçada de "brincadeira". Com a união de esforços será possível erradicar essas práticas, garantindo o direito de todos a um ambiente seguro e saudável para o desenvolvimento pleno de suas potencialidades.

Precisamos formar uma geração que saiba usar a tecnologia, com consciência, para construir, não destruir. Ensinar empatia, respeito e responsabilidade digital é tão urgente quanto alfabetizar. O bullying e o cyberbullying não são apenas problemas de crianças ou adolescentes — são espelhos daquilo que estamos tolerando como sociedade.

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