Alimentos ultraprocessados e a saúde da população

O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil tem sido associado ao crescimento das taxas de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis

Escrito por
Álvaro Madeira Neto producaodiario@svm.com.br
Médico Sanitarista e Gestor em Saúde.  Especialista em Medicina Preventiva e Social pela Associação Brasileira de Medicina Preventiva e Administração em Saúde (ABRAMPAS)/AMB
Legenda: Médico Sanitarista e Gestor em Saúde. Especialista em Medicina Preventiva e Social pela Associação Brasileira de Medicina Preventiva e Administração em Saúde (ABRAMPAS)/AMB

O consumo de alimentos ultraprocessados tem aumentado significativamente no Brasil nas últimas décadas, o que representa uma preocupação crescente para a saúde pública.

Os alimentos ultraprocessados são produtos alimentícios que passam por múltiplas etapas de processamento industrial e contêm uma alta proporção de ingredientes sintéticos ou artificiais. Esses produtos costumam ser ricos em açúcares, gorduras saturadas, sal e aditivos químicos, ao mesmo tempo em que são pobres em nutrientes essenciais, como vitaminas, minerais e fibras.

No Brasil, estudo sobre o perfil de consumidores, divulgado pela Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), feito pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP), apontou que houve um aumento do consumo de alimentos ultraprocessados no país, que cresceu em 5,5% na última década. Outra pesquisa destacou que os esses alimentos são responsáveis por mais de 30% do total de calorias ingeridas por crianças e adolescentes no país.

O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil tem sido associado ao crescimento das taxas de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A obesidade, em particular, é uma preocupação crescente no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta brasileira tem excesso de peso, e cerca de 20% são obesos. Além disso, a prevalência de obesidade em crianças e adolescentes aumentou de 4,1% em 2006 para 12,9% em 2021, segundo o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes.

A crescente prevalência de doenças crônicas não transmissíveis relacionadas ao consumo de alimentos ultraprocessados representa um desafio significativo para o sistema de saúde pública brasileiro. Além dos custos diretos com tratamento e prevenção dessas doenças, há também os custos indiretos, como a perda de produtividade e os impactos na qualidade de vida dos indivíduos afetados e de suas famílias.

A implementação de políticas públicas eficazes, que promovam a educação nutricional e estimulem o consumo de alimentos saudáveis, é fundamental para enfrentar esse desafio e garantir a saúde e o bem-estar das gerações futuras. Promover a prevenção é construir alicerces sólidos para a saúde pública, onde cada escolha consciente se transforma em um passo coletivo em direção a uma sociedade saudável seus diversos aspectos.

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