A importância de doar sangue

Legenda: Roberto Furlani é médico oncologista
Foto: Arquivo pessoal

"Sangue não nasce em árvores". Ouvi esta frase de um professor na faculdade de medicina e nunca esqueci. Reflete a dificuldade na obtenção deste importantíssimo insumo para tratamento das mais variadas doenças. Embora a Organização Mundial da Saúde recomende que o percentual de doadores de sangue seja de, no mínimo, 3% da população do país, no Brasil essa taxa ainda é baixa, não atingindo 2%.

A doação de sangue beneficia muitas vidas de pacientes que, lidando com doenças, traumas e cirurgias, precisam de transfusão constante ou pontual, de forma a repor o estoque de sangue saudável no corpo. Dentre os beneficiados pela doação de sangue, estão os pacientes oncológicos, renais crônicos e vítimas de traumas severos, como em acidente de carro e queimaduras de terceiro grau.

Existem inúmeras pesquisas sobre sangue e derivados artificiais, mas na prática ainda pode ser obtido exclusivamente por doação de, no máximo, 450ml de sangue. Essa única doação pode salvar a vida de até quatro pessoas. Em cerca de um dia, o organismo já repõe a quantidade de sangue que foi retirada. É um procedimento seguro e todos os materiais usados no procedimento são descartáveis.

Trata-se de ato exclusivamente voluntário, precedido por rigorosa entrevista, dura em média menos de uma hora, e por Lei o doador é dispensado do trabalho. Para garantir a segurança dos doadores durante a pandemia, foram criados mecanismos para evitar qualquer tipo de contaminação, com fluxos de entrada diferenciados, agendamento de horário para doações e todos os cuidados com a biossegurança.

As salas de espera e de coleta foram redimensionadas para assegurar o distanciamento entre as pessoas. Não há doador mais importante do que outro. Existem diversos mitos que atrapalham, como a impossibilidade de doação no período menstrual, a não aceitação de homossexuais e de pessoas com tatuagens, ou de problemas à saúde ocasionados pela doação. O mês de junho é dedicado à campanha "junho vermelho" para disseminar a informação e convocar a população para este ato de amor ao próximo. O próximo paciente a necessitar de sangue pode ser você, pense nisso!

Dr. Roberto Furlani
Oncologista do NOHC 


Assuntos Relacionados