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Vale a pena acumular milhas para comprar passagens aéreas? Veja simulações

A depender do consumo do passageiro no cartão de crédito, uma simples viagem de Fortaleza para São Paulo pode levar 12 anos para acontecer

Escrito por Bruna Damasceno bruna.damasceno@svm.com.br
21 de Outubro de 2022 - 11:00
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Legenda: As milhas aéreas são pontos que podem ser trocados passagens, mas nem sempre são viáveis para alguns consumidores
Foto: Kid Júnior / SVM

Viajar de avião está cada vez mais caro. Para driblar a dificuldade de acesso ao serviço, consumidores recorrem a promoções e milhas. Mas será que ainda compensa apostar no uso do cartão de crédito para tentar obter passagens aéreas?

A resposta pode ser diferente para cada pessoa, a depender do estilo de vida e dos hábitos de consumo. O Diário do Nordeste faz simulações para indicar a melhor alternativa a ser considerada para alguns perfis. Os cálculos são parte do "Sua Carteira", projeto que mostra como os leitores podem economizar. 

No primeiro exemplo, um viajante com renda de R$ 3 mil gasta, mensalmente, R$ 1 mil no cartão de crédito. Mantendo esse padrão todos os meses, ele levaria, em média, 12 anos para acumular milhas para um voo partindo de Fortaleza para São Paulo. Sem a pontuação, seria necessário desembolsar R$ 1.193.

Para o levantamento, foram considerados um valor médio do dólar (R$ 5,50) e uma categoria de programa de fidelidade que troca cada moeda norte-americana por 1,5 ponto.

O diretor da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas (Fenacon), Ronaldo Hella, responsável pelo cálculos, pondera que, neste caso, as milhas via esquema de cartões não são vantajosas. 

“Quanto mais tempo a pessoa levar para acumular milhas, mais tempo pagará de anuidade. Talvez, seja melhor utilizar outros programas disponíveis no mercado”, avalia, sugerindo os modelos das companhias áreas (veja diferenças abaixo). 

O mesmo vale para a segunda situação, cujo consumidor possui ganho de R$ 5 mil e concentra R$ 2 mil de gastos no crédito, por mês. Esse viajante demoraria seis anos para conseguir a passagem para o mesmo destino.

Já no terceiro exemplo, o consumo mais alto (R$ 4 mil) do passageiro que ganha R$ 10 mil reduz o tempo para três anos. Apesar de ainda ser um período significativo, aponta o especialista, sinaliza ser uma vantagem para quem já paga valores elevados no cartão de crédito e planeja viagens de longo prazo.  

O período, contudo, pode variar para mais ou para menos, a depender do gasto mensal de cada passageiro. Nas simulações, essas variações não são contempladas. 

O que são milhas?

São pontos acumulados para a troca por produtos e serviços, incluindo passagens, hospedagem e até aluguel de veículos. A pontuação é obtida a partir de programas de fidelidade de cartões de créditos e de companhias aéreas. 

Como acumular muitas milhas? 

A economista e especialista em finanças, Juliana Barbosa, pondera, que, para acumular pontos no cartão de crédito, em geral, o valor total das compras mensais é convertido em dólar. 

A cada moeda norte-americana gasta, o consumidor ganha uma quantidade pré-estabelecida pela operadora. Para que essa pontuação se converta em milhas, é necessário se cadastrar em um programa de fidelidade e fazer a transferência.

“O 'x' da questão está exatamente na cotação do dólar, que hoje vale o equivalente a R$ 5,33, tornando cada vez mais difícil acumular grandes quantidades de milhas”, observa. 
Juliana Barbosa
Economista e especialista em finanças

Vale a pena concentrar compras no cartão de crédito para obter milhas?

A educadora financeira destaca que os bancos digitais oferecem cartões com benefícios e sem cobranças de taxa. Contudo, alguns modelos tradicionais ainda chegam a cobrar cerca de R$ 300 de anuidade. Portanto, consumidores devem colocar os prós e contras na ponta do lápis. 

“Minha orientação é fazer uma pesquisa e identificar bancos ou financeiras que ofereçam cartões sem anuidade e com programa de fidelidade", frisa.

Caso você não encontre um cartão sem anuidade, minha sugestão é só contratar esse benefício se for concentrar todas as compras no cartão de crédito e tiver uma média de consumo razoavelmente alta”, alerta. 

Compensa comprar apenas trecho da viagem com milhas e pagar o restante?

Nem sempre o consumidor consegue obter milhas o suficiente para determinada viagem, precisando pagar parte do trecho. Para Juliana Barbosa, na maioria dos casos, essa compensação não vale a pena. 

“Pois o valor que terá de pagar é muito próximo ao cheio da passagem. Além disso, consumirá suas milhas arrecadas. Neste caso, é mais vantajoso comprar com antecedência, procurando valores mais em conta e pagando com o cartão de crédito para continuar acumulando milhas”, afirma. 

Como funcionam os clubes de milhas e quando compensa? 

A economista esclarece que, num clube de milhas, o participante escolhe um plano de acordo com a quantidade de pontos que deseja acumular e paga um valor fixo para ter esse benefício.

"Também há outros benefícios, como bagagem extra, acúmulo especial em lojas parceiras, mais milhas por trechos voados. Mas, ainda assim, só vale a pena se você realiza muitas viagens dentro do ano", enfatiza. 

Quais os programas de milhas de companhias aéreas?

  • Os principais são: 
  • Azul: Tudo Azul;
  • Gol: Smiles;
  • Latama: Latam Pass. 

Quais as diferenças dos programas de milhas de cartões de créditos e de companhias aéreas?

Juliana destaca haver diversos cartões de crédito com programas de pontuação e outros benefícios, como sala vip em aeroportos nacionais e internacionais. “Com eles, o consumidor acumula pontos que podem ser transferidos para o programa de milhas aéreas de sua preferência. Lá, adquire suas passagens utilizando os pontos”, indica.

Nos três programas das companhias aéreas citados acima, é possível acumular milhas voando com a própria empresa e parceiras, fazendo compras e utilizando outros serviços como hospedagem e aluguel de carro.

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