Frete no Ceará sobe 10% com guerra no Oriente Médio e rigor no piso mínimo

A informação é do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado (Setcarce).

Escrito por
Redação e Agência Brasil negocios@svm.com.br
Foto que contém caminhões em estrada no Ceará.
Legenda: Transporte de cargas no Ceará fica mais caro em 2026.
Foto: Kid Júnior.

O preço do frete de cargas no Ceará está 10% mais caro nesta semana (de 16 a 22 de março) em comparação ao fim de fevereiro, segundo Marcelo Maranhão, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Ceará (Setcarce).

De acordo com ele, o aumento do preço do diesel - puxada pela guerra no Oriente Médio - e o endurecimento das regras para empresas que descumprirem o piso mínimo do frete, determinado pelo Governo Federal na última semana, contribuíram para a alta do custo no Estado.

"Se o diesel representa 50% do custo do transporte, o transportador e o caminhoneiro autônomo precisam reajustar 5% para manter a qualidade e a estabilidade do preço. Depois que sobe o preço do diesel, há todos os outros insumos: pneus e manutenção dos veículos. Deve ser repassado para o consumidor algo próximo de 10%, a depender do que acontecer", define. 

"Alguns segmentos procuram aproveitar a oportunidade para resgatar alguma perda que houve no período. Isso vai gerar, em um primeiro momento, um desconforto muito grande, mas não tem o que fazer. Tem que repassar esses custos, e quem vai acabar pagando essa conta é o consumidor", completa Maranhão.

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Essa questão, no entanto, é marcada pela imprevisibilidade. O presidente do Setcarce observa que o reajuste de 10% é válido "para as próximas horas e dias".

Isso porque a escalada no preço do diesel e uma possível greve dos caminhoneiros mudam a situação do custo do transporte de cargas.

"O monitoramento do preço do diesel é diário. Todo dia vai se avaliar se está dando para cobrir ou não, se mantém ou se faz reajuste. Antes da guerra, o preço do barril de petróleo estava entre US$ 60 e US$ 70. Hoje está em US$ 120, praticamente dobrou. Esse preço é muito volátil e vai depender muito de quanto vamos conseguir comprar no mercado internacional", pondera.

Multa para empresas que descumprirem o piso será de até R$ 10 milhões 

O Governo do Federal publicou, nessa quinta-feira (19), a Medida Provisória (MP) Nº 1.343, que amplia os mecanismos de fiscalização e permite a aplicação de punições rigorosas em casos de descumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

Agora, empresas que descumprirem a lei enfrentam multas de até R$ 10 milhões e suspensão das atividades.

A principal mudança é a trava no Código de Identificação da Operação de Transportes (CIOT). Se o valor contratado estiver abaixo do piso, o código não é emitido, bloqueando o frete antes mesmo do caminhão iniciar a viagem.

Além da punição máxima, cada operação não registrada gera multa de R$ 10,5 mil. Para garantir a viabilidade do setor diante da alta dos combustíveis, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) criou um gatilho automático: o valor do frete será ajustado sempre que o diesel oscilar 5%.

As empresas têm 60 dias para se adaptar às novas regras, que surgem como resposta à ameaça de paralisação da categoria devido à instabilidade no preço do petróleo. 

Greve dos caminhoneiros é suspensa 

Uma reunião na última quinta-feira suspendeu temporariamente uma articulação entre os caminhoneiros contratados por empresas e os autônomos para decretação de um estado de greve da categoria, algo que não ocorre desde 2018.

Dentre as principais reivindicações estava o cumprimento do piso mínimo do frete, que não era uniforme em todo o País mesmo com determinações vigentes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Por meio de Medida Provisória (MP), o Governo Federal publicou que o transporte rodoviário de cargas passa a ter a obrigatoriedade de apresentar o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) antes de iniciar o serviço de frete.

Conforme a ANTT, esse código vai garantir que todas as contratações de frete pagarão o piso mínimo. Caso contrário, não terão o CIOT emitido, bloqueando fretes irregulares ainda na fase de contratação.

O diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, afirma que será publicada uma resolução que prevê gatilhos para ajustar o valor do frete mínimo de forma mais ágil, para mantê-la atualizada diante de oscilações de custos como a que tem ocorrido por conta da alta no preço dos combustíveis.

“Esse gatilho disparará sempre que o diesel tiver uma variação de 5%, tanto para cima como para baixo”, explicou. As novas medidas valem para transportadores, empresas contratantes e intermediários do setor.

A reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Mudanças, Bens e Cargas do Estado do Ceará (Sindicam-CE) e com o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Ceará (Sindicam-Ceará) e com a Federação Interestadual dos Transportes Rodoviários Autônomos de Cargas e Bens da Região Nordeste (Fecone) em busca de informações sobre uma possível greve dos caminhoneiros e reivindicações do setor, mas não obteve retorno até o fechamento deste material.

Setor ainda não descarta greve nacional

Apesar das mudanças, o segmento tem uma reunião marcada para a próxima quarta-feira (25) com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.

Os caminhoneiros ainda têm reivindicações como a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a intensificação da fiscalização contra o aumento abusivo nos preços em diversos postos.

Foto que contém caminhões parados durante greve dos caminhoneiros no Brasil em 2018.
Legenda: Última greve dos caminhoneiros no Brasil foi em 2018.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

Do ponto de vista patronal, Marcelo Maranhão acredita que "a greve dos caminhoneiros está completamente descartada", que incluem as medidas adotadas pelo Governo Federal e o compromisso na redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual e em negociação.

"Tudo isso acalmou muito os ânimos dos caminhoneiros autônomos. Quando se faz um carregamento de um veículo com os valores inferiores ao da tabela, tanto a transportadora quanto a empresa embarcadora vão ser autuadas. Essas multas têm um valor bem significativo", observa.

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