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Quais produtos o agronegócio cearense mais exporta em 2026? Confira a lista

Neste primeiro semestre, o setor exportou US$ 151,31 milhões.

Escrito por Luciano Rodrigues luciano.rodrigues@svm.com.br
24 de Maio de 2026 - 11:00
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Legenda: O Ceará é um dos principais produtores de melão do País.
Foto: Cipp/Divulgação.

O agronegócio cearense exportou US$ 151,31 milhões entre janeiro e abril de 2026. O melão foi o principal produto da pauta exportadora do Estado, totalizando US$ 38,5 milhões, alta de 54,38% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados são da Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), e da Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE).

Logo após o melão, aparecem dois itens que têm a característica de ter o Ceará como maior produtor nacional: a cera de carnaúba e a castanha de caju.

As exportações de cera somaram em 2026 US$ 35,1 milhões. Esse valor representa uma queda de 10,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já na castanha de caju, o tombo é ainda maior. Foram US$ 15,6 milhões exportados, 42,47% a menos do que entre janeiro e abril de 2025. Foi a maior queda percentual entre os produtos cearenses mais comercializados com o exterior.

Confira a lista de produtos mais exportados do Ceará em 2026 (jan-abr):

  1. Melão: US$ 38,5 milhões;
  2. Cera de carnaúba: US$ 35,1 milhões;
  3. Castanha de caju: US$ 15,6 milhões;
  4. Peixes: US$ 11,9 milhões;
  5. Melancia: US$ 11,4 milhões;
  6. Couros e peles: US$ 9,1 milhões;
  7. Conservas de pescados: US$ 9,01 milhões;
  8. Água de coco: US$ 8,1 milhões;
  9. Lagostas: US$ 6,7 milhões;
  10. Sucos de frutas: US$ 5,9 milhões.

Agronegócio cearense se fortalece no segundo semestre, diz Faec

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, observa que a produção do agronegócio cearense mantém certa estabilidade no comparativo entre 2025 e 2026 e que o período entre julho e dezembro normalmente é o de maior produtividade no campo.

"As exportações do agronegócio mesmo acontecem no segundo semestre. Estamos em período de chuvas, e uma das pautas boas nossas são frutas, cera de carnaúba, castanha de caju, que realmente no primeiro semestre é mais complexo", lista.

Nos quatro primeiros meses deste ano, as exportações cearenses do agronegócio totalizaram US$ 159,1 milhões, 2,36% a menos do que no mesmo período de 2025. 

"Acho que, no segundo semestre, a gente compensa isso. O que nos incomoda mesmo são os ciclos que acontecem na economia. A castanha de caju já exportou US$ 200 milhões, mas diminuiu. A cera de carnaúba já aumentou e diminuiu. Não pode quebrar os ritmos do ciclo econômico, tem que continuar a cultura e acrescentar outras", explica Amílcar.

Frutas devem representar maiores exportações do Estado, diz especialista

Enquanto produtos como cera de carnaúba e castanha de caju reduzem a participação na pauta exportadora cearense, as frutas, como melão e melancia, a cada dia passam a representar parcela maior.

Entre janeiro e abril de 2026, foram US$ 54,6 milhões exportados, 34,3% do valor dos produtos do agronegócio do Ceará comercializados com o exterior. A tendência é notada pelo mercado, como observa Augusto Fernandes, CEO da JM Negócios Aduaneiros.

O especialista reforça que essa perspectiva de crescimento perpassa também pelos sucos de fruta, que têm valor agregado maior do que as frutas frescas.

"Isso já ocorreu no passado. Havia empresas que dominavam o mercado de sucos de frutas também. Pode ser uma tendência voltando. As frutas frescas (in natura) têm um custo de transporte alto, além do produto ser perecível. Mas isso não muda da noite pro dia; os hábitos dos consumidores demoram", avalia. 

 

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