Terminais de ônibus de Fortaleza registram manifestações de trabalhadores rodoviários nesta quarta

Líder da categoria afirma que, caso negociações não avancem, atividades poderão ser totalmente paralisadas em Fortaleza e na RMF

Manifestação no terminal do Papicu
Legenda: Os profissionais reivindicam melhorias nas condições de trabalho em meio à pandemia de Covid-19.
Foto: Brenda Albuquerque

Os terminais de integração do Papicu e da Messejana registraram paralisação, na manhã desta quarta-feira (23), por parte da categoria de trabalhadores rodoviários. O ato durou cerca de duas horas e chegou a fechar os equipamentos. Os profissionais reivindicaram melhorias nas condições de trabalho em meio à pandemia de Covid-19. Às 11h, a frota de ônibus já estava circulando normalmente. 

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), as paralisações já terminaram nos dois terminais por volta das 11h.

Segundo o presidente do Sintro, Domingos Neto, a categoria tem sido cada vez mais afetada pelo novo coronavírus. "De quatro dias para cá, foram cinco trabalhadores que perderam sua vida, e a gente tem quase certeza de que eles pegaram esse vírus dentro desses coletivos, correndo sérios riscos de ser contaminados", afirmou.

O líder sindical ressaltou que os atos desta quarta sinalizam a abertura de mobilizações, as quais devem ocorrer até haver uma reunião ou audiência pública com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), a Prefeitura de Fortaleza e o Governo do Estado.

Adesão de outras categorias

A manifestação conta com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (STICCRMF). Conforme o diretor da entidade, Raimundo Evaristo, a categoria pleiteia vacinação por ser considerada serviço essencial. "Somos essenciais para trabalhar, mas não somos essenciais para a vacina".

O cobrador Edweyne Martins lembrou que a reivindicação ocorre em nível nacional. "[A manifestação] é em defesa da vida, em defesa da vacinação urgente para nossa categoria, que tá na frente desde o início dessa pandemia", destacou. De acordo com ele, os profissionais estão rodando com os ônibus superlotados, o que teria levado vários colegas a serem infectados.

Outra pauta demandada pela categoria de rodoviários é o retorno ao plano de saúde antigo, o qual teria sido modificado sem consulta prévia ao sindicato e aos trabalhadores que o compõem. 

Reclamações

A vendedora Ana Patrícia Lima de Sousa se mostrou indignada com a manifestação no terminal do Papicu. Em direção ao trabalho, no bairro Aldeota, "os ônibus tão tudo parados, a gente não pode sair do terminal. Eu tenho horário para chegar no trabalho, muita gente lá dentro tem horário para chegar no trabalho", reclamou.  "A gente precisa, sim, da vacina, mas a gente também precisa viver", continuou a mulher.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) respondeu, em nota, que a paralisação, realizada pelo Sintro, durou cerca de duas horas. Às 11h, a frota de ônibus já estava circulando normalmente.

Além disso, o Sindiônibus acrescentou que não foi notificado previamente sobre a ação e repudia "qualquer ato que prejudique a circulação dos ônibus e impeça o deslocamento da população". A instituição reitera a abertura de diálogo está sempre aberto e que as pautas "devem ser tratadas sob negociação, sem prejuízo ao fornecimento do serviço de transporte".

Diário do Nordeste também questionou a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria.

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