Prédio onde laje cedeu não corre risco de tombar, diz Defesa Civil

Fachada do edifício na avenida Barão de Studart desmoronou na manhã de ontem, mas apenas o restante do concreto está comprometido. Moradores têm 72 horas para contratar engenheiro que faça o reparo no imóvel

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Legenda: O edifício recebeu duas fiscalizações da Agefis em 2019 por denúncias de infiltração e falta de conservação da calçada
Foto: Fabiane de Paula

Era por volta de 9h de ontem, quando a laje de um prédio desabou na avenida Barão de Studart, no bairro Joaquim Távora. Não houve feridos. Apesar de toda a parte frontal do imóvel ter ficado deteriorada, a Defesa Civil de Fortaleza assegurou que não há risco de desmoronamento do edifício de três andares.

"Verificamos que o prédio em si não corre risco. O que está colapsado é exatamente a laje da frente, onde houve a queda parcial", explica o chefe da Defesa Civil, Luciano Agnelo. Junto ao Corpo de Bombeiros, eles optaram pelo isolamento da área e interdição do imóvel, além de uma loja e uma residência vizinhas.

A Defesa Civil estabeleceu um prazo de até 72 horas para que os condôminos contratem um engenheiro que será responsável pelo escoramento do prédio, retirada e ajuste da laje comprometida. De acordo com o síndico Marcos Silveira, três profissionais já ofereceram o serviço, mas os moradores ainda avaliam o orçamento. "Vamos correr contra o tempo para conseguir o engenheiro que vai resolver esse problema. Alguns já nos procuraram, mas estamos analisando ainda quem fará. Foi um susto grande, mas nossas vidas foram preservadas, e isso, sem dúvida é o que mais importa nesse momento".

A Cruz Vermelha Brasileira, filial do Ceará, também esteve no endereço do incidente até às 14h40, quando recebeu a confirmação da Defesa Civil de que não haveria mais "risco à vida humana", uma vez que todos os moradores já haviam sido evacuados e a estrutura principal não apresentava risco de desabamento. Uma tenda montada por eles em frente ao imóvel ofereceu suporte psicológico, alimento e água. "Os Bombeiros desmobilizaram e viram que não tinham vítimas. Depois, a Defesa Civil nos liberou. A gente não sairia daqui sem a liberação e a certeza que essas famílias estavam bem", explica Adriano Saboia, coordenador estadual de Gestão de Risco de Resposta a Desastres da Cruz Vermelha.

Susto

A aposentada Maria José Melgaço, 68, moradora do 1º andar, estava prestes a estender as roupas no varal que fica exatamente na laje quando ouviu os gritos de pânico dos vizinhos. "Mandaram eu descer e correr porque algo ia cair, mas até então eu não sabia o que era. Desci às pressas com a minha neta de oito anos e o nosso cachorrinho", detalha.

Segundo Maria José, que mora no prédio há um ano, a laje apresentava sinais de infiltração, "mas ninguém esperava que fosse cair assim". Com o contrato de locação prestes a vencer, a aposentada diz que avaliará se a família vai continuar no imóvel. "Foi um susto enorme".

Para a contadora Selma Pereira, moradora do 3º andar, sair com vida do acidente foi um "livramento divino". Ela detalha que antes do desabamento chegou a ir duas vezes à varanda conferir se o profissional que faria a limpeza havia chegado. Ao mesmo tempo, ela acompanhava a missa que estava sendo transmitida na televisão. "Nesse tempo, ouvi um pessoal dizendo que o prédio estava estalando e, então, eu fiquei desesperada. Tenho dois filhos que estavam dormindo. Chamei os vizinhos, comecei a gritar e pedi para eles descerem. Eu nem sabia o que fazer".

Embora tivesse assustada com a situação, Selma pensou em colocar os familiares, os bichos de estimação e os vizinhos no carro e sair do prédio. Porém, ao acionar o controle para abertura do portão, a laje desmoronou. "A nuvem de poeira fechou tudo. Quando baixou a poeira, eu corri e saltei o concreto. Foi uma situação desesperadora, mas a minha fé foi fortíssima".

A crença, avalia a contadora, tem sido importante ainda para atravessar as dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus. "Meu marido sobreviveu à Covid-19, perdi amigos e teve agora essa iminência de morrer dentro da minha casa. Mais uma vez, temos que parar, analisar, refletir sobre a vida", considera Selma Pereira que ficará hospedada provisoriamente em apartamento de um amigo.

Por meio de nota, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) informou que o edifício recebeu duas fiscalizações em maio de 2019, sendo uma após "denúncia de falta de conservação da calçada", e outra para atender "denúncia de infiltração em determinado apartamento".

"A Agefis esteve no local nesta quarta-feira (9) e está monitorando a ocorrência para verificar o cumprimento das medidas orientadas pela Defesa Civil de Fortaleza e a destinação correta dos resíduos", complementou.

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