Novo coronavírus: veja medidas de segurança para escolas com alunos de até três anos

Robério Leite, infectologista pediátrico, comenta sobre medidas de segurança para crianças de até três anos

No decreto de isolamento social divulgado no último dia 17 deste mês no Ceará, um dos pontos de destaque foi a suspensão das aulas presenciais em todo o Estado. A medida, no entanto, não afeta o berçário e a educação infantil para crianças de até três anos, como também atividades práticas e laboratoriais para concludentes do ensino superior. No caso das aulas infantis, se devem reforçar práticas específicas para reduzir as chances de contágio pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). 

De acordo com Robério Leite, infectologista pediátrico do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), “as crianças pré-escolares são as mais prejudicadas pelo fechamento das escolas, pois não é possível o aprendizado nessa faixa etária através do ensino remoto. A experimentação com o concreto é essencial para o desenvolvimento nessa faixa etária”. Outro ponto de alerta é que muitas das crianças têm na escola a garantia de refeições adequadas, pontua o especialista. 

Em relação ao retorno das aulas presenciais, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em setembro do ano passado, publicou um guia com recomendações para os locais que irão retomar as atividades. Entre as premissas do documento estão a avaliação local das taxas de transmissão da Covid-19 na cidade, como também de medidas de distanciamento a serem aplicadas dentro das salas de aula

Robério Leite explica que as crianças, apesar de terem risco reduzido de complicações da doença, podem atuar como transmissores. “Os estudos têm demonstrado que a maior parte das infecções ocorre dentro de casa, trazida por um adulto, e que a taxa de transmissão da Covid-19 na escola não é tão grande quanto se supunha. É preciso ponderar, no entanto, que a maioria destes estudos foi realizada em países desenvolvidos, com realidades bem diferentes da nossa.” 

Robério Leite elenca medidas para o dia a dia das crianças

  • Orientar o uso correto das máscaras; 
  • Preservar o distanciamento e estimular a higienização frequente das mãos;
  • Identificar crianças com sintomas respiratórios;
  • Lembrar que crianças menores de 2 anos não devem usar máscaras;
  • Redução do número de alunos;
  • Impedir os encontros entre turmas diferentes;

Em relação a infraestrutura dos espaços, o especialista recomenda:

  • Janelas abertas;
  • Aulas em espaços abertos;
  • Distanciamento de carteiras, com até mesmo uso de telas protetoras;
  • Sinalização de espaços de circulação;
  • Prover locais suficientes com álcool em gel;
  • Não usar ar-condicionado;
  • Fluxos de entrada e saída que impeçam aglomerações.

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