Fortaleza volta a sofrer por consequência das chuvas

A Defesa Civil do Município registrou, até o fim da manhã de ontem, 30 ocorrências, entre elas, 17 alagamentos, duas inundações e três desabamentos. Foram 83 milímetros em 24 horas

Fortaleza parece mesmo ter abraçado o clima úmido e chuvoso. As precipitações que insistem em banhar a Terra do Sol com mais intensidade desde o mês de março, no entanto, seguem alterando a rotina de seus habitantes, seja pelos históricos problemas de drenagem - resultando em ruas alagadas e trânsito inchado, ou pela deficiência estrutural de áreas de risco, levando prejuízos e temor a comunidades.

A cidade dormiu e acordou debaixo de chuva. Foram 83,2 milímetros registrados entre as 7h da manhã da quarta-feira (3) e as 7h desta quinta-feira (4), segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O acumulado foi o suficiente para que a Defesa Civil do município registrasse, até o fim da tarde de ontem, 45 ocorrências, entre elas 23 alagamentos, cinco inundações, 11 riscos de desabamentos e quatro desabamentos.

A maioria das ocorrências, 17 no total, foi registrada na Regional VI. No bairro Jangurussu, por exemplo, famílias do Conjunto São Cristóvão que nem sequer se recuperam dos prejuízos causados pela enchente do último dia 24 de fevereiro, temem novas perdas pela chuva que não cessa.

Dentre os imóveis já visitados e cadastrados pela Defesa Civil, está o da dona de casa Adriana Rodrigues de Souza, 40, atualmente com paredes rachadas em dois cômodos e no muro da frente da casa. Lá, três grandes baldes servem como o guarda-roupas, perdido na última enchente. Também foram embora a cama, armários e o micro-ondas.

Na madrugada de ontem, a água voltou a entrar no imóvel. "A gente não dorme mais, com medo", comenta. Apesar do cenário, a moradora ainda não sabe se receberá o benefício de até R$ 1 mil prometido pela Prefeitura de Fortaleza para as famílias prejudicadas. "Fiz a inscrição. Eles vieram tem mais de 15 dias, mas ninguém sabe de nada", conta.

Na casa ao lado, a mesma preocupação. O que restou do sofá permanece erguido desde o mês passado, quando a dona de casa Nonata Pereira 42, alega ter perdido eletrodomésticos, móveis e alimentos. "O meu guarda-roupa, que era enorme, de seis portas, se resumiu a um carrinho de mão. Minha televisão ficou boiando na sala, de tão alto que a água chegou", afirma. Atualmente, cerca de 2.900 famílias da região foram cadastradas pela Defesa Civil de Fortaleza para receberem o auxílio assegurado por lei no dia 27 de março. A estimativa é que os primeiros pagamentos sejam realizados nesta sexta-feira (5), segundo o órgão.

Assim como em outros dias chuvosos, a mobilidade urbana foi outra vítima das chuvas de ontem. Com ruas e avenidas intransitáveis, o tráfego travou, levando um alto fluxo a vias alternativas e secundárias. Por volta das 7h, já não era possível trafegar por vias essenciais para a cidade, como a Heráclito Graça, Visconde do Rio Branco, Raul Barbosa, Leste Oeste e Perimetral.

Os dois sentidos de um trecho da Avenida Alberto Craveiro ficaram interditados pela água. Um carro chegou a ficar ilhado, sendo tirado de lá por pedestres. Apenas alguns motociclistas se arriscavam a passar pelo local. Condutores também fugiram dos pontos de alagamento da Avenida Raul Barbosa, trafegando pela comunidade do Lagamar em direção à Avenida Borges de Melo e a BR-116, também impactadas pelo fluxo lento.

O túnel da Avenida Rogaciano Leite, no bairro Cocó, ficou alagado durante a manhã. Motoristas não conseguiram acessar o equipamento, e a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) chegou a emitir um alerta para que os condutores evitassem o trecho.

No Centro, a fachada de um imóvel comercial desabou na Avenida Tristão Gonçalves. O prédio estava desocupado e não houveram vítimas. Segundo a Defesa Civil, o incidente não afetou a estrutura de edificações vizinhas. A Prefeitura de Fortaleza foi procurada para falar sobre ações emergências para os efeitos das chuvas na cidade, mas até o fechamento desta edição o retorno não havia sido dado.

Em Caucaia, a chuva ocorrida na madrugada de quinta-feira (4), no bairro Sandes Veraneio, na Praia do Icaraí, formou uma cratera perto de uma vila de casas. Moradores temem que as residências sejam "engolidas" pelo buraco. Equipes da Defesa Civil e da Secretaria de Infraestrutura estiveram no local para avaliar e solucionar o problema.

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