Estudo de pesquisadores da Uece aponta autismo como um possível fator de risco para Covid-19

A pesquisa do Grupo de Estudos em Neuroinflamação e Neurotoxicologia evidencia que pessoas com autismo são suscetíveis a infecções devido à alterações no nível genético e imunológico do corpo

Pesquisa sobre pessoas com autismo e coronavírus
Legenda: A pesquisa sobre autismo e riscos da Covid-19 é do Grupo de Estudos em Neuroinflamação e Neurotoxicologia (GENIT) da Uece
Foto: Foto: José Leomar

Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ser classificados como grupo de risco para a infecção pelo novo coronavírus. Essa é a hipótese levantada em um artigo de pesquisadores do Grupo de Estudos em Neuroinflamação e Neurotoxicologia (GENIT) da Universidade Estadual do Ceará (Uece), publicado essa semana. O estudo aponta que pessoas com autismo são suscetíveis a infecções devido à alterações no nível genético e imunológico. Algumas dessas modificações, afirma os pesquisadores, são condições comuns na população considerada grupo de risco para Covid-19. 

O professor do curso de Medicina da Uece e coordenador do GENIT, Gislei Frota, explica que a pesquisa, publicada na revista científica Medical Hypotheses, é inédita e traçou um comparativo entre TEA, comorbidades e os grupos de risco da Covid-19, como diabéticos, pacientes cardiovaculares e obesos. O estudo para a proposição da hipótese tem como base ialgumas nformações já publicadas em outros pesquisas científicas. 

"Vimos a interseção que há entre autismo e Covid e chegamos a essa hipótese. A ideia é lançar a semente para que pesquisadores do mundo inteiro possam comprovar a nossa hipótese. Além disso, nós também somos um grupo que trabalhamos com pesquisa clínica experimental e nós também queremos trabalhar comprovando essa hipótese isso também faz parte de um dos nossos projetos. É a gente dar continuidade a esse trabalho teórico para comprovarmos na prática", conta o pesquisador.  

De acordo com o professor, o grupo ficou intrigado com o fatores de risco. "Pessoas que tinham diabetes, obesidade, doenças autoimunes são mais propensas. Começamos a conjecturar se isso pode acontecer com o autismo". O pesquisador diz ainda que pessoas com autismo têm, em geral, alimentação com baixo valor nutricional, pois, são muito seletivos. "Esses alimentos produzem alterações metabólicas e processos inflamatórios", completa. 

O "ambiente metabólico que o autista tem dentro de si", conforme o pesquisador é um ambiente alterado, inflamado. E isso, enfatiza ele, "faz com que a Covid se estabeleça muito bem". O estudo aponta que  há diversas características do TEA que podem ser considerados pontos para agravamento da Covid-19, dentre eles: a vulnerabilidade do sistema imune, inflamação endógena e neuro inflamação. 

Gislei reforça ainda que novos estudos são necessários para a confirmação dessa correlação, mas enfatiza que a pesquisa é de suma importância, já que embora afete entre 1% e 2% da população, o autismo é uma condição que vem crescendo ano a ano no mundo. 

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Redação 04 de Dezembro de 2020