Em três anos de operação, Casa da Mulher Brasileira atende mais de 95 mil mulheres no Ceará

Equipamento presta apoio por meio da assistência social, psicológica, jurídica e até econômica às mulheres em situação de violência no Estado

Legenda: Desde o início da sua operação, em 2019, 95.284 mulheres foram atendidas na Casa da Mulher Brasileira
Foto: Foto: Helene Santos

Após sofrer agressões físicas e psicológicas do ex-companheiro, Ana dos Santos (nome fictício) procurou a Justiça para se resguardar de atitudes que pudessem colocar em risco sua vida e a de seu filho. Encontrou acolhimento e apoio emocional na Casa da Mulher Brasileira, equipamento de amparo às vítimas de violência doméstica no Ceará que vai completar três anos de atuação no dia 23 de junho.

Ana é uma das 95.284 mulheres atendidas na Casa da Mulher Brasileira desde o início da sua operação, em 2019. “Pelo lado do acolhimento, de ter um apoio psicológico, eu achei maravilhoso”, pontua. Ela avalia, porém, que a Justiça ainda é falha. “O problema é que eles pagam fiança e saem com ainda mais raiva das mulheres. E acaba acontecendo a mortalidade”, lamenta. 

Hoje, Ana conseguiu se afastar do ex-companheiro e procura reconstruir a vida ao lado do filho. “Eu ainda estou muito sofrida. Sofro ameaças dele sobre tirar o meu filho de mim. Só de falarem em tirar meu filho de mim, sinto vontade de chorar. Esses criminosos não podem ficar soltos”, reforça a vítima de violência doméstica.

A titular da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), Socorro França destaca que a Casa da Mulher Brasileira tem sido uma importante ferramenta no apoio a essas vítimas, sobretudo considerando que a pandemia obrigou muitas delas a ficarem confinadas com seus agressores. Ela reforça que a vítima pode ficar até 48 horas na Casa da Mulher Brasileira, que dispõe de berçário para que elas acomodem seus filhos.

Após as 48 horas, as mulheres que não se sentem seguras para voltar para casa têm ainda a possibilidade de ir para uma outra casa de acolhimento, na qual elas podem passar mais tempo e recebem também apoio financeiro. O endereço do local não é divulgado justamente para manter a proteção das vítimas e de seus filhos.

Independência financeira

Outra problemática intimamente atrelada à violência doméstica é a dependência financeira do agressor, conforme avalia Socorro França. “Nós sabemos que o medo não é só de apanhar ou de morrer, mas de perder o sustento por causa muitas vezes dos filhos. Elas ficam sendo maltratadas porque sabem que a única renda vem do agressor”, lamenta a secretária.

Diante da questão, Socorro França reforça a necessidade de inserção dessas mulheres no mercado de trabalho, capacitando-as em atividades que sirvam como fonte de renda. 

“Nós oferecemos cursos de design de sobrancelhas e cabelo, por exemplo. Entregamos-lhes kits para que elas comecem a trabalhar. Isso muda a vida dessas mulheres, porque elas passam a contar com um recurso para não passarem necessidade”, diz Socorro França. A média de atendimento na Casa da Mulher Brasileira no Estado é de 90,74 mulheres por dia.

Transformação desde a infância

Além disso, a titular da SPS destaca que o combate começa com a atenção à infância e conscientização nas escolas. “Para que possamos ter homens e mulheres sadios, precisamos ensinar desde cedo. Eu sempre peço aos professores e professoras que conversem bastante a respeito desse assunto, mostrando que papai e mamãe são iguais, para que essas crianças entendam sobre igualdade de gênero”, arremata.

Telefones

  • Delegacia de Defesa da Mulher: (85) 3108-2950 - plantão 24h, sete dias por semana
  • Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher: (85) 3108-2966 - segunda a quinta, 8h às 17h
  • Defensoria Pública: (85) 3108-2986 - segunda a sexta, 8h às 17h
  • Ministério Público: (85) 3108-2940 / 3108-2941 - segunda a sexta, 8h às 16h
  • Juizado: (85) 3108-2971 - segunda a sexta, 8h às 17h
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