Em 2019, dengue atinge principalmente mulheres de 20 a 29 anos, revela boletim epidemiológico

Diferenças sociais entre homens e mulheres, e o mercado de trabalho podem estar ligados aos números

Escrito por Redação,

Metro

Legenda: O Ceará já registrou 602 casos da doenças. Dentro desse total, são 67 casos dentro do grupo específico de mulheres de 20 a 29 anos de idade
Foto: Foto: Saulo Roberto

Em 2019, o Ceará já registrou 602 casos de dengue, até 23 de março, de acordo com a Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa) — os dados aparecem em dois documentos oficiais: o Boletim Epidemiológico de Arboviroses, lançado no último dia 29, e na planilha de doenças de notificação compulsória. Dentro desse total, um público específico aparece em primeiro lugar entre os mais atingidos: as mulheres entre 20 e 29 anos.

São 67 casos dentro desse grupo específico. Logo abaixo, ainda dentro do gênero feminino, aparece a faixa etária seguinte, mulheres de 30 a 39 anos, com 62 notificações registradas. Entre os homens, a faixa etária de 20 a 29 também lidera a estatística: são 65 casos registrados de acordo com o mais recente Boletim Epidemiológico.

O infectologista Robério Leite revela que alguns fatores podem ocasionar essa diferença. Estigmas da sociedade na diferenciação de costumes entre homens e mulheres, e até o mercado de trabalho podem ser decisivos na quantidade de registros dos casos de dengue separados por gênero.

“As mulheres procuram mais os serviços médicos do que os homens. Os homens têm mais receio de ir ao médico. Então, talvez isso pode causar a diferença. Digamos, que os homens ‘escondem’ as doenças, em uma maneira popular de dizer”, comenta o infectologista.

“Outro fator diz respeito a hábitos em relação às diferenças de trabalho. A gente sabe que, embora tenha havido muitas mudanças, ainda uma parte significativa permanece dando conta do trabalho doméstico, em casa. E como a maioria dos focos estão em casa, e o hábito do mosquito é mais pela manhã, isso talvez seja um fator de proteção, porque os homens vão para trabalhos fora de casa mais do que as mulheres”, complementa o especialista.

Robério ainda revela que outro fator possível é de ordem biológica, “alguma defesa individual que proteja mais os homens mas isso é menos comum”. De acordo com o infectologista, alguns estudos apontam que essa diferença nos casos de dengue entre homens e mulheres é comum também em outros países. O médico ainda completa que os mesmos fatores apresentados podem ser preponderantes em relação às outras arboviroses como zika e chikungunya.

Em relação às cidades que mais registram casos da doença neste ano, Fortaleza aponta em primeiro lugar, com 168 notificações, de acordo com a planilha de notificações compulsórias. Já entre os municípios do interior do estado, Russas encabeça a lista com 122 notificações de dengue.