Covid-19: aumenta procura por oxímetros no comércio e especialistas pedem cautela no uso domiciliar

O aumento da busca do aparelho, no Google, chegou ao seu pico na última semana de abril

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a falta de materiais para prevenção da Covid-19, como máscaras, álcool em gel e medicamentos, agora se repete com os oxímetros, aparelhos que medem a oxigenação no sangue. Fornecedores do produto em Fortaleza confirmaram o aumento da procura, chegando a esgotar estoques do aparelho na Capital.

A alta na demanda se dá porque um dos principais sintomas da Covid-19 é a falta de ar, causada pela menor oxigenação no sangue.

Segundo fornecedores, o aumento da procura chegou a mais de 100%, em algumas situações chegando a vender cerca de 200 aparelhos oxímetros em 30 minutos. O perfil dos clientes também mudou, agora se concentrando em pessoas de cerca de 30 anos, algumas vezes com idosos em casa, mas sem vínculo com profissões ligadas à saúde.     

Uso domiciliar

A estilista Cecy Pinheiro, de 34 anos, recebeu o resultado positivo para Covid-19 no último dia 30 de abril, mas antes disso já sentia os sintomas da doença e fez o uso do oxímetro, que tinha em casa por conta do pai que tinha problemas pulmonares, como uma forma de se tranquilizar sobre a gravidade de sua situação. “No caso da Covid, eu não fui ao hospital por causa do oxímetro. Porque eu estava sentindo muito cansaço, muitas coisas, e aí eu falei com o médico do plantão do Estado, por telefone”, contou a estilista.  

A estilista também destacou que a orientação do médico, por meio do telefone, para o uso do aparelho foi o que o tornou eficaz nesta situação. “O médico me orientou [para o uso], não o primeiro, mas eu falei com um outro médico e ele me falou justamente isso, que eu olhasse e se tivesse com a saturação até 95 podia ficar tranquila, mas abaixo disso, eu tinha que correr para uma unidade de saúde”, concluiu. 

O oxímetro é um aparelho utilizado por profissionais da saúde, e mesmo com a precariedade do serviço de saúde público e privado, por conta da pandemia, o  médico emergencista e chefe do departamento de emergência do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Khalil Feitosa, ressaltou a importância da orientação médica na utilização do aparelho. “Existem serviços acompanhando via telemedicina, então para esses casos de acompanhamento remoto, onde eu tenho assistência médica remota, é válido que você tenha um oxímetro de pulso em casa, para acompanhamento”, esclarece. 

“Na população em geral, onde não houver um caso suspeito, se você não for um caso suspeito é um dispositivo que não vai lhe ajudar. Ele não vai dizer se você está com Covid-19 ou não. Então ele não vai ser tão útil, na verdade”, destacou o emergencista.

Feitosa também destaca, que algumas situações podem interferir na aferição, podendo assim, levar a leituras inadequadas das informações contidas no aparelho sem a instrução prévia do médico. “Às vezes quem tem esmalte na unha, as vezes quando a mão está muito gelada, ele pode falsear a leitura e dar um valor de oxigenação que não é o real”, explicou. “Até por isso o acompanhamento médico é importante, para quando você tiver essa informação e passar para ele [médico] ele saberá fazer essa leitura”, concluiu.    

Com o alerta de aumento da procura pelo aparelho, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), divulgou uma nota oficial onde não recomenda o  uso irrestrito de oxímetro domiciliar, principalmente por não haver estudos científicos sobre a monitorização em pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado do novo coronavírus. 

“Sugerimos que a decisão sobre usar ou não usar monitoração por oximetria domiciliar fique a cargo do médico que assiste o doente. Não existe indicação do uso de oxímetro domiciliar em indivíduos sem doenças pulmonares crônicas ou como método de diagnóstico precoce da Covid-19”, declarou em nota.  


 

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