Com risco de infecção mais grave por Covid-19, trabalho home office é mais indicado para gestantes

Projeto de Lei aprovado no Senado afasta as gestantes do trabalho presencial. Ministério da Saúde já recomendou 'adiar gravidez' durante o pico da pandemia

grávidas que se infectam têm mais chances de complicações obstétricas.
Legenda: Segundo obstetra, grávidas que se infectam com Sars-Cov-2 têm mais chances de complicações obstétricas
Foto: Shutterstock

O Senado aprovou na última quinta-feira (15) um Projeto de Lei que afasta, obrigatoriamente, as gestantes do trabalho presencial, permitindo apenas o formato home office durante a pandemia de Covid-19. O texto vai à sanção presidentcial. Mas por que é indicado este modelo de trabalho para as grávidas?

A resposta está nos números correspondentes a este grupo em meio à crise sanitária e os riscos de uma infecção mais grave, conforme especialistas.

No Ceará, até às 16h59 deste domingo (18), a plataforma IntegraSUS registrou 18 óbitos por Covid-19 em mulheres grávidas. Outros 23 também foram de puérperas. 

 

De acordo com a obstetra Liduina Rocha, estudos feitos durante um ano comprovam oito em cada dez mortes maternas por Covid-19 no mundo. Neste período, o principal risco de um trabalho presencial para este grupo está na exposição ao vírus, tendo em vista que grávidas que se infectam têm mais chances de complicações obstétricas. 

“Há uma maior chance de abortamento, parto prematuro, pré-eclâmpsia e eventos trombóticos pulmonar no pós parto, por exemplo. As grávidas complicam também mais gravemente em relação à doença, especialmente as que estão no terceiro trimestre e as que estão no pós parto. Estas têm os piores resultados pré-natais e em relação ao desenvolvimento da doença”, pontua. 

Para a especialista, grávidas devem ser consideradas grupo de risco para a doença pandêmica e devem estar incluídas no plano de vacinação prioritário. “Todas as vacinas desenvolvidas podem ser aplicadas em grávidas, mas a do vírus inativado (CoronaVac) tem um histórico maior de segurança”, coloca.

Dentre as recomendações para o grupo em questão, a obstetra cita o isolamento social rígido, com saídas apenas quando há necessidade de realização de exames; uso de máscaras adequadas e, mesmo com a vacina, “os cuidados devem prevalecer”. “Também é muito importante reforçar a manutenção do pré-natal, especialmente para as que têm algum risco obstétrico. Essas devem ter o pré-natal particularizado”.

Adiar gravidez

Na sexta-feira (16), o Ministério da Saúde (MS) reforçou os riscos da exposição de gestantes ao Sars-Cov-2 e recomendou adiar gravidez durante o pico da pandemia no Brasil. Segundo o secretário de Atenção Primária à Saúde do MS, Raphael Câmara, as variantes do coronavírus no Brasil têm se mostrado mais agressivas em grávidas.

No entanto, a obstetra Liduína afirma que a recomendação de ‘não gravidez’ só faz sentido quando atrelada à garantia de métodos contraceptivos adequados. “Infelizmente, no Brasil todo, a gente observou um fechamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) no sentido de garantir planejamento reprodutivo. Então a política deve ser esclarecer os riscos, respeitar as decisões individuais e garantir acesso público e gratuitos aos métodos contraceptivos”, explica.

Trabalho em casa

A empreendedora e nutricionista Caroline Macedo, de 31 anos, já estava trabalhando via home office, desde março de 2020, quando engravidou, em agosto. Caroline prestava cursos e workshops presenciais quando a pandemia começou a afetar o Estado, fazendo-a migrar para a plataforma online. 

“Começamos a gravar as receitas, elaborar e-books, e nos viramos em casa. Compramos equipamentos para facilitar a migração. Foi maravilhoso nesse aspecto porque a gente continua forte e 100% online durante a pandemia”.

A empreendedora Caroline segue em home office desde março do ano passado
Legenda: A empreendedora Caroline segue em home office desde março do ano passado
Foto: Arquivo pessoal

Quando é preciso um trabalho externo, a sócia tem tomado à frente para que Caroline fique resguardada em casa, durante a gravidez. “Graças a Deus a gente está se dividindo assim e tem dado certo. Eu raramente tenho saído, apenas para o supermercado e olhe lá, e sempre com álcool em gel e máscara. Tento ir também em horários alternativos”, diz.

Apesar dos cuidados, a empreendedora acabou contraindo o vírus, em janeiro deste ano, pelo contato com o marido, aos seis meses de gestação. “Ele pegou em uma das vezes que precisou ir no restaurante que trabalha. De sintoma, eu só tive a perda do olfato e foi apenas por isso que eu descobri, pois não tive nenhum outro”, conta. 

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