Ceará tem queda de 31% no número de transplantes de órgãos em 2020

Foram 1.089 procedimentos realizados no Estado, 367 a menos que em 2019

Transplante
Legenda: No Estado, foram realizadas 177 transplantes de rim em 2020
Foto: Yago Albuquerque

A atual crise na saúde pública em razão da pandemia de Covid-19 também impacta diretamente na vida de quem depende de um novo órgão. Balanço da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgado nesta sexta-feira (5), aponta que o Ceará teve queda de 31% no número de procedimentos realizados em 2020. 

O Estado realizou 1.089 transplantes, 494 a menos do que em 2019, que contabilizou 1.583. Foram feitos 177 procedimentos de rim, 175 de fígado, 14 de coração, 88 de medula óssea, 1 de pâncreas e 1 de pulmão. 

O transplante de córnea ainda lidera no Ceará, com 633 procedimentos feitos em 2020 - redução de 29,5% se comparado ao ano anterior (899 cirurgias). O órgão é um tecido transparente que fica na frente do olho, sendo responsável por focar as imagens e captar a luz. 

De acordo com o coordenador da Unidade de Insuficiência Cardíaca e Transplante do Hospital de Messejana, João David de Souza Neto, a diminuição desses procedimentos se deve, principalmente, pela alta demanda dos hospitais em decorrência da pandemia de Covid-19.

“Existe a dificuldade de os pacientes se internarem devido à lotação dos hospitais, além do fato de que, uma série de itens que pode desclassificar o doador, como o teste PCR (de detecção de Covid), que todo paciente doador é submetido e que, quando dá positivo, o doador é invalidado”, explica. 

Brasil

No cenário nacional, os impactos da pandemia se deram não apenas para pacientes na lista de espera, como para aqueles já transplantados. A ABTO estima que as mais afetadas são as pessoas que receberam transplante de rim. 

Aproximadamente 10% delas foram infectadas pelo novo coronavírus, com taxas de mortalidade chegando a 2,5%, segundo conclusão da ABTO, tendo como base dados dos dois maiores centros de transplante renal do país. 

A queda dos transplantes renais no Brasil chegou a 24,5%, sendo 17,2% nos transplantes com doador falecido e 59,6% nos com doador vivo. 

Os transplantes de medula, por sua vez, caíram 17,6%; o cardíaco 16,7%; e o de pâncreas 12,5%. Os procedimentos hepáticos caíram 9%. 

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