“Ainda estou buscando algum tipo de explicação”, diz Custódio Almeida sobre escolha de novo reitor

Professor de Filosofia e então vice-reitor da UFC foi o mais votado em consulta pública e na lista tríplice, mas acabou não sendo escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro

Legenda: Custódio Almeida era vice-reitor da UFC nesta última gestão
Foto: Foto: divulgação/ UFG

Candidato mais votado em consulta pública para a reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), o professor Custódio Luís Silva de Almeida lamentou não ter sido nomeado reitor pelo presidente Jair Bolsonaro, que escolheu Cândido Albuquerque, o menos votado. A decisão gerou um ato de protesto na noite dessa terça-feira, em frente à instituição.

Em entrevista ao Sistema Verdes Mares na manhã desta quarta-feira (20), Custódio afirmou que recebeu a notícia com surpresa, considerando a expressiva diferença de votos entre os candidatos: 7.772 contra 610. “Não tenho nenhuma ideia do motivo da escolha. Ainda estou buscando algum tipo de explicação. Eu tenho um currículo completamente compatível com o cargo de reitor. Não há absolutamente nada que desabone meu nome”, pontua o professor, que deixa a Vice-Reitoria da UFC.

Mesmo sem conhecer as motivações para a escola de Jair Bolsonaro, Custódio acredita que houve articulação política. “Obviamente eu sei que professor Cândido Albuquerque fez investidas e articulações políticas e empresariais em Brasília”.

Nessa última terça-feira (20), Cândido afirmou que “não foi escolhido para ser líder político”. O advogado e então diretor da Faculdade de Direito da UFC também disse que a oposição a ele é “pequena”.

A diferença no número de votos entre Custódio e Cândido causou revolta na comunidade acadêmica, que considerou a escolha como uma “quebra de tradição”. “A minha lamentação não é pessoal, é pela UFC. A minha candidatura não foi pessoal, ela foi pelo público e pelo coletivo. É triste porque a voz da universidade não foi respeitada”, afirma o professor da UFC.

A nomeação de Cândido Albuquerque é a segunda da história da UFC a contrariar a consulta pública feita com os corpos discente e docente da universidade. A primeira aconteceu em 1991, quando Antônio de Albuquerque Sousa Filho foi declarado reitor.

Insatisfação

Estudantes, professores e servidores participaram de manifestação contra a nova reitoria na noite dessa terça-feira (20) e fecharam o cruzamento entre a Avenida 13 de Maio e a Avenida da Universidade. Para Custódio, a gestão será marcada por desafios.

“É um mandato que vai prejudicar a universidade e o seus fluxos. Os movimentos organizados já estão se pronunciando e não só os organizados, são todos os professores e alunos da universidade que de fato se sentem desrespeitados e sentem um anseio muito grande pelo que está por vir”, pondera.

Saindo do cargo de vice-reitor, Custódio Almeida afirma que irá continuar realizando  trabalhos em defesa da universidade pública. “Nunca deixei de dar aula, nunca deixei de orientar aluno e vou continuar defendendo a liberdade de pensamento na UFC. Sempre defendi a educação pública e autonomia acadêmica. Entendo que a universidade pode e deve ser um grande farol de referência”, comenta.

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Redação 21 de Outubro de 2020