Qual preço ideal do sócio-torcedor? Veja estratégias de Ceará e Fortaleza e opinião de especialista

Especialista avalia cenários diante de reclamações de torcedores. Clubes buscam remodelar planos

Escrito por
Vladimir Marques vladimir.marques@svm.com.br
(Atualizado às 12:07)
Legenda: Torcedores de Ceará e Fortaleza na Arena Castelão
Foto: Camila Lima/Thiago Gadelha

Basta uma vasculhada nas redes sociais para que o debate acalorado sobre o valor dos planos de sócios-torcedores de Ceará e Fortaleza se apresente. De um lado, torcedores reclamando do preços dos programas de sócios-torcedores e de outro uma parcela que defende a necessidade dos clubes arrecadarem mais. Diante do impasse de uma discussão longa, surge o debate: qual o preço justo a se pagar por um plano de sócio-torcedor?

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Com a volta gradativa dos torcedores aos estádios, os clubes brasileiros começam lentamente a reduzir o prejuízo provocado pela ausência de bilheteria em razão da pandemia de Covid-19. Principal fonte de receita para a maioria dos clubes, o programa de sócio-torcedor virou prioridade. A ação visa reconhecer e recompensar quem ficou ao lado dos clubes em tempos difíceis sem público e receitas menores.

Antes da pandemia (em março de 2020), o Fortaleza tinha 35 mil sócios e hoje tem 16,5 mil. O Ceará tinha 21 mil sócios torcedores antes da pandemia e hoje conseguiu praticamente recuperar os mesmos 21 mil

Legenda: O Ceará vem se recuperando na Série A, tem boas chances de uma vaga na Sul-Americana e se der uma arrancada pode sonhar com Libertadores
Foto: KID JUNIOR

Clube mais próximo ao número conquistado antes da pandemia, o Alvinegro lançou uma promoção nos planos de sócio-torcedor entre sexta-feira e o próximo domingo (14) ao ofertar valores especiais aos interessados. O objetivo era superar os 20 mil associados, conseguindo o feito.

Já o Fortaleza, que tinha uma base sólida de 35 mil antes da pandemia, foi o que mais perdeu sócios e tem retomado gradualmente, com forte influência dos resultados alcançados dentro de campo (semifinal da Copa do Brasil e briga por vaga direta para a Libertadores da América 2022).

Legenda: O Fortaleza faz grande campanha na Série A e está perto de uma vaga na Libertadores
Foto: KID JUNIOR

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Novo cenário

Mestre em marketing esportivo, Evandro Ferreira Gomes explicou que os clubes precisarão se adequar à nova realidade econômica do brasileiro, que sofreu perdas financeiras irreparáveis durante os duros meses de pandemia.

A pandemia parou o futebol, mas também as pessoas economicamente falando. Elas perderam o emprego ou parte de sua renda. E como o futebol também parou e depois voltou sem a entrada no estádio, não tinha mais motivo para o torcedor continuar pagando o sócio, pois não tinha jogo. Com essa recessão econômica, o que faz o torcedor? Cortar gastos supérfluos. Ou seja, o torcedor cortou o entretenimento e ficou com as suas despesas básicas. Os clubes tiveram que criar alternativas neste período e conseguiram que muitos retornassem. Agora, com a expectativa de ver seu clube novamente, retornou quem podia retornar. O torcedor quer um ganho econômico, de ver seu time por um valor menor do que comprar o ingresso avulso. Só que o contingente que não voltou a se associar é muito maior dos que podem voltar, pela crise econômica do brasileiro. E os clube precisarão se adequar a isso.
Evandro Ferreira Gomes
Mestre em marketing esportivo

Para Evandro, as reclamações quanto ao preço de alguns planos de sócios são normais, como a queixa do preço da gasolina. E cabe aos clubes entenderem esta relação e chegarem a um cenário ideal.

"Quando um clube aumenta o preço do sócio-torcedor ou não ajusta, não é porque quer reaver o prejuízo de mais de um ano de pandemia. É porque tudo subiu de preço. Os custos do futebol aumentaram muito, porque o futebol não é ambiente à parte do contexto econômico. Uma estratégia é contar com menos pessoas no quadro de sócios, cobrir os mesmos custos e aumentar a receita, numa medida que seria antipática para o mercado, ou criando planos com valores populares. O torcedor precisa de um plano de sócio que dê outras vantagens a ele, para não se perder o vínculo".

Legenda: O Castelão vazio, sem a presença da torcida, foi a realidade dos clubes cearenses de maio de 2020 a outubro de 2021
Foto: Thiago Gadelha

E para minimizar os efeitos negativos das reclamações do preços cobrados, Evandro acredita que o clube precisa ter uma canal de comunicação constante e deixar claro as intenções de um congelamento de preços ou aumento dele.

"Não é rápido resolver quando se há reclamação de torcidas de massa. É uma luta inglória para o marketing do clube resolver. Se uma fatia importante de pessoas compreender e se adequar a nova realidade, com poder econômico para isso, o clube resolve um dos lados e já entra na elitização do futebol, que é uma outra questão. A verdade é que os clubes precisariam remodelar seus planos de sócios ano a ano, equilibrando a realidade economica do clube e de sua torcida, para que os que já estão continuem e permitir a entrada de novos sócios".

Confira os valores dos planos:

Planos de Sócio do Fortaleza

Leão Fiel (R$ 74,90 / mês)
Leão de Aço (R$ 119,90 / mês)
Leão do Pici (R$ 219,90 / mês)
Leão do Interior (R$ 54,90 / mês)

Recarga:

Leão Fiel (R$ 39,90 / mês)
Leão de Aço (R$ 74,90 / mês)
Leão do Pici (R$159,90 / mês)
Leão do Interior (R$ 24,90 / mês)

Planos de Sócio do Ceará

Vovô de Ouro (R$ 150,00 / mês)
Mais Querido (R$ 75,00 / mês)
Campeão da Popularidade (R$ 50,00 / mês)

Recarga:
Consulado alvinegro (R$ 20,00 / mês)
Time do Povo (R$ 14,00 / mês)

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