Elas no Esporte: Cearense e preparadora física da Ferroviária, Raquel Ferreira comemora Libertadores

Integrante da Comissão Técnica do time paulista relembra o começo da carreira no Ceará e fala sobre as pretensões para o futuro

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Legenda: Raquel com a taça da Libertadores Feminina
Foto: Arquivo Pessoal

A história de Raquel Ferreira no futebol começou em 2011, no projeto Menina Olímpica, como atleta. No meio do caminho, entre convocações para a Seleção Brasileira Sub-17 e passagens por Fortaleza e Ceará, ela precisou abandonar as chuteiras e mudar de rumo: foi para os bastidores, atuar como preparadora física. Toda essa trajetória foi coroada com o título da Libertadores Feminina, vencido pela Ferroviária de Araraquara, sua atual equipe, no último dia 21 de Março.

O time do interior paulista é uma das maiores potências do futebol feminino no Brasil e nas Américas, e já havia levantado a taça anteriormente, mas para Raquel o título é inédito. Os 20 anos de experiência no futebol feminino e o ótimo desempenho da cearense na comissão técnica do Fortaleza chamaram a atenção de Lindsay Camila, treinadora das Guerreiras Grenás. Foi o primeiro trabalho de Raquel fora do Estado do Ceará. Poucos meses depois de desembarcar em Araraquara, ela vencia o título da Libertadores.

"Nem nos meus melhores sonhos passava pela minha cabeça. É uma sensação indescritível, eu não imaginava que seria tão rápido. Claro que a gente trabalha, pensa em algo maior para o nosso futuro, e eu sou muito determinada, acredito muito em mim. Não imaginava que seria tão rápido, mas posso garantir que é um sonho realizado", ressalta Raquel.

O trabalho de preparação da equipe para a Libertadores foi árduo. A sequência de jogos na competição é pesada, as partidas são próximas, o que diminui o tempo de treinamento e aumenta o esforço físico do elenco. Além disso, o torneio foi realizado fora do Brasil, na Argentina. Raquel destaca a união da comissão técnica no processo de recuperação das atletas.

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"A comissão em conjunto sempre trabalhou visando a parte física, tática e emocional. Sempre de forma integrada. A gente teve sete semanas de preparação até a viagem para a Libertadores. A gente sabia que seria um campeonato corrido, jogando e tendo 48 horas só de preparação. Tentamos preparar as atletas nesse ritmo de competição".

O foco da equipe agora é o Campeonato Brasileiro Série A1 e o Campeonato Paulista. Além disso, a próxima edição da Libertadores já está batendo na porta, assim como uma futura disputa de Mundial contra as campeãs europeias.

O começo

Graduada em Educação Física, o desejo de criança de Raquel era ser jogadora. Foi assim que ela deu o pontapé inicial no cenário esportivo, atuando como volante. A cearense passou pelos principais times do estado, Fortaleza e Ceará, além do São Gonçalo. Chegou a ser convocada para a Seleção Brasileira sub-17 e recebeu propostas de times de fora, mas decidiu priorizar os estudos.

"Para sair, tinha que abrir mão dos estudos porque os locais que queriam era para eu me profissionalizar e eu não teria tempo para dar sequência na minha graduação. Optei por ficar e concluir o curso de Educação Física, e encerrei minha carreira como atleta no Ceará em 2018 - relembra Raquel.

Já formada, ela recebeu o convite do seu ex- clube para integrar a comissão técnica do alvinegro de Porangabuçu. Foi no Ceará, em 2019, que Raquel deu seus primeiros passos como preparadora física e analista de desempenho.

"Fiz curso de análise de desempenho com a Seleção Brasileira Feminina principal, e em 2019 a comissão técnica do Ceará me convidou para participar. Como foram os responsáveis pela minha formação como atleta, criamos um vínculo forte de amizade e companheirismo, eu aceitei. Fiquei em 2019 inteiro, a gente disputou a Série A2 do Campeonato Brasileiro, quase subimos, aí teve a troca da comissão, fiquei só como analista, fomos campeãs cearenses e saí do Ceará", conta.

Do Ceará, ela traçou seu caminho até o Pici. O Fortaleza tinha acabado de contratar Chagas Ferreira como coordenador de futebol feminino, ele já tinha trabalhado com Raquel no Ceará, e fez o convite para que ela ingressasse junto com ele no tricolor.

"O Fortaleza, até então, não tinha disputado o Campeonato Brasileiro, e aí tivemos uma excelente campanha, onde pegamos o Bahia, vice-campeão, nas quartas de final, nos dois jogos do acesso. O resultado da competição foi muito bom", aponta.

O desempenho positivo foi o que chamou a atenção da treinadora da Ferroviária. Daí, Raquel iniciou sua jornada no cenário esportivo nacional e internacional.

Caminho até a amarelinha

Para o futuro, Raquel pensa grande. Por enquanto, quer focar no trabalho ao lado de Lindsay Camila na Ferroviária e elevar seu nome no mercado. Ela revela que, até então, não pretende seguir carreira como treinadora. A próxima meta é rumo à comissão técnica de Pia Sundhage, na Seleção Brasileira.

"Acho que é o sonho do profissional. Todo mundo almeja passar por lá e fazer um bom trabalho. Sempre falei que não queria sair do Ceará e ir para a Ferroviária ser apenas mais uma, então eu procuro trabalhar da forma que acredito para fazer um grande trabalho. A Seleção é um sonho, e quem sabe um dia a gente chega lá", destaca.

Podcast Elas no Esporte

Desde janeiro de 2020, o podcast Elas no Esporte traz a história de mulheres que se destacam no futebol, vôlei, basquete, atletismo e outras modalidades esportivas. Além do site da Verdinha, o conteúdo está disponível em Spotify, Deezer, iTunes e outras plataformas de streaming.

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